Ativistas protestaram na sede da Meta, em São Paulo, contra restrições e funcionalidades nas redes sociais que interferem nas eleições e na democracia brasileira.

Less than a week before the elections, Greenpeace Brazil joined hundreds of activists and civil society organizations at Meta’s headquarters in São Paulo in a peaceful protest to send a clear message: Meta, keep your hands off our election! Thousands of complaints compiled by the CTRL+Z organization exposed serious failures on Meta’s platforms that are interfering with Brazil’s elections, manipulating social media, and threatening our democracy. We don’t need anyone meddling in our choices. We urgently need regulation of Big Tech! Brazil decides Brazil’s future.

A menos de uma semana das eleições, o Greenpeace Brasil se juntou a centenas de ativistas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais em um ato pacífico em frente à sede da Meta (dona do Facebook, Instagram, Meta AI, Threads e WhatsApp), nesta segunda (19), em São Paulo, na Faria Lima, principal centro financeiro e corporativo do país. 

“Nos últimos dias, milhares de denúncias compiladas pela organização CTRL+Z expuseram falhas graves nas redes sociais da Meta e que estão interferindo nas eleições e ameaçando nossa democracia”, explica Julia Catão, especialista do Greenpeace Brasil que esteve no ato. “Não precisamos de bilionários donos das empresas mais ricas do mundo se metendo por aqui. Precisamos de regulamentação urgente para as Big Techs!” 

Além das queixas de banimento de perfis e restrições de conteúdos, o jornal Folha de S.Paulo revelou mensagens internas de funcionários da Meta reconhecendo falhas que prejudicam o presidente Lula e recomendações algorítmicas de conteúdos relacionados ao candidato Flávio Bolsonaro. 

Mais de 100 organizações, incluindo Greenpeace, assinaram a carta da organização CTRL+Z, exigindo das autoridades eleitorais brasileiras e dos mecanismos internacionais de direitos humanos uma resposta à interferência das Big Techs nas eleições de 2026. 

Ao final do ato, os participantes tentaram entregar um documento com reivindicações à Meta – que também é a empresa que mais está lucrando com as eleições brasileiras –, mas foram impedidos de entrar no prédio. O texto será enviado virtualmente cobrando transparência, responsabilização e regulamentação das grandes plataformas digitais. 

Em um período decisivo para a democracia, o recado das ruas foi direto: “Meta, não se meta nas nossas eleições”. O segundo turno das eleições presidenciais acontece no dia 25/10. 

Fotos do ato: media.greenpeace.org/Detail/27MZIFJHQCSP4

Brasil decide o Brasil

A concentração de poder em nome da inovação tecnológica intensifica a vigilância e agrava os riscos para a democracia em diversos países, impulsionando a ascensão autoritária, a manipulação do debate público e o financiamento de agendas de extrema-direita.

Em resposta a essas ameaças eleitorais, o Greenpeace Brasil lançou o manifesto coletivo ‘Brasil decide o Brasil‘, defendendo a democracia e a soberania nacional. “O setor tecnológico precisa de regulamentação capaz de impulsionar uma tecnologia que sirva de fato ao bem coletivo, respeitando a autonomia dos países, os direitos humanos e os limites planetários”, afirma Catão. 

Assine o manifesto e compartilhe: Brasil decide o Brasil!

Less than a week before the elections, Greenpeace Brazil joined hundreds of activists and civil society organizations at Meta’s headquarters in São Paulo in a peaceful protest to send a clear message: Meta, keep your hands off our election! Thousands of complaints compiled by the CTRL+Z organization exposed serious failures on Meta’s platforms that are interfering with Brazil’s elections, manipulating social media, and threatening our democracy. We don’t need anyone meddling in our choices. We urgently need regulation of Big Tech! Brazil decides Brazil’s future.

Por que regulamentar as Big Techs?

A regulamentação das grandes empresas de tecnologia é fundamental para enfrentar riscos relacionados à democracia, aos direitos humanos e ao meio ambiente. Em todo o mundo, há uma preocupação crescente com a influência das redes sociais, que têm sido vetor de desinformações, disseminadas inclusive por meio da inteligência artificial (IA), o que dificulta o acesso à informação confiável, alimenta o negacionismo climático e ameaça processos democráticos, como vimos nas eleições brasileiras. 

O avanço desregulamentado das Big Techs também aumenta gravemente a demanda por recursos e territórios. Para funcionar o tempo todo, os sistemas dependem de grandes estruturas computacionais, conhecidas como data centers ou centros de processamento de dados, que consomem água, energia elétrica e minerais em escala industrial, especialmente os de hiperescala. Apesar dos riscos, há uma série de projetos de mega data centers avançando pelo país.  

No Brasil, o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), criado pela Lei nº 278/2026 sancionada em setembro de 2026, oferece incentivos fiscais para atrair a instalação desses centros de dados. Porém, o texto apresenta brechas e critérios que favorecem mais os proprietários das Big Techs do que o bem comum, o que traz alertas para especialistas e comunidades afetadas. 

Enquanto a Europa e os Estados Unidos discutem regras e limites, o Brasil tem se tornado alvo da expansão de mega data centers, supostamente por sua abundância de terra, água e energia renovável, além de custos menores e regulação mais frouxa. “Antes de seguir expandindo os data centers, o Brasil deve saber o custo e definir as regras”, destaca Catão.

Less than a week before the elections, Greenpeace Brazil joined hundreds of activists and civil society organizations at Meta’s headquarters in São Paulo in a peaceful protest to send a clear message: Meta, keep your hands off our election! Thousands of complaints compiled by the CTRL+Z organization exposed serious failures on Meta’s platforms that are interfering with Brazil’s elections, manipulating social media, and threatening our democracy. We don’t need anyone meddling in our choices. We urgently need regulation of Big Tech! Brazil decides Brazil’s future.

Impactos ambientais das Big Techs

Um relatório do Greenpeace Alemanha alertou que as emissões e as demandas da IA por energia, água e matérias-primas estão aumentando rapidamente, e que poderá ser 11 vezes maior em 2030 do que em 2023, a menos que os governos intervenham. 

Hoje, os Estados Unidos concentram 45% dos data centers do mundo, mas enfrentam resistência da população preocupada com contas de luz mais altas e uso da água. Nova York foi o primeiro estado a suspender novos data centers de hiperescala até construir um marco regulatório protetivo — somando-se a pausas já adotadas por países como Holanda e Irlanda. 

Para garantir a proteção dos territórios e dos direitos humanos, a expansão de data centers no país, principalmente os de hiperescala (mega data centers) deve estar condicionada aos limites ecológicos e a critérios como: 

  • Consentimento comunitário: Consulta livre, prévia e informada às comunidades locais;
  • Transparência e participação: Acesso público aos dados e participação social ativa na formulação de políticas públicas;
  • Zonas de exclusão: Proibição de instalações em regiões de estresse hídrico ou alta sensibilidade ambiental;
  • Licenciamento Ambiental completo: Exigência de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para grandes empreendimentos.

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