Nossa civilização se tornou o Thanos que aniquila espécies com um estalar de dedos

Em “Vingadores – Guerra Infinita”, Thanos, o vilão do momento, conseguiu reunir as seis joias do infinito e eliminar metade da vida do universo, incluindo nosso planeta, apenas com um estalar de dedos. Curiosamente, poucos dias atrás, o mais importante levantamento científico dos últimos 50 anos apontou que um milhão de espécies, entre plantas e animais, estão ameaçadas de desaparecer nas próximas décadas. Mas nesta história, nós não estamos no lado dos heróis. São as atividades humanas que estão causando essa extinção em velocidade sem precedentes. Para o tempo do planeta, isso é um “estalar de dedos”. A última extinção em massa desse porte foi há 65 milhões de anos, com o fim dos dinossauros.

Na “Avaliação Global sobre a Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos“, estudo de mais de 1500 páginas e que levou três anos para ser produzido por 145 cientistas de 50 países, as espécies ameaçadas vão desde pequenos insetos polinizadores, como as abelhas, até os grandes mamíferos, em função do nosso apetite por cada vez mais recursos naturais, o que vem destruindo a maioria dos ecossistemas.

Uma nova relação com a natureza

Em Vingadores, Thanos é um cara “bem intencionado”. Ele acredita que o universo e seus recursos são finitos e por isso defende o controle populacional para que os planetas não entrem em colapso. Eliminando metade dos seres vivos, os que restarem viverão com mais dignidade. Muitos terráqueos concordam com Thanos.

Essa pensamento tem origem em Thomas Malthus, um economista britânico que, no final do século 18, pregava que o aumento populacional crescia mais rápido do que a nossa produção de alimentos, e por isso devia ser controlada. Malthus culpava os mais pobres, claro. Hoje, vimos o quanto ele estava errado: morrem mais pessoas de doenças decorrentes da obesidade do que de inanição. E se não matamos a fome de todos, não é por falta de comida – cerca de 30% dos alimentos são perdidos ou desperdiçados entre o campo e a mesa.

Mas a “ideologia de Malthus” ainda faz com que exista muitos Thanos entre nós. Mais que o número de pessoas, no entanto, são os padrões de produção e consumo insustentáveis que estão impactando o planeta. Desde 1970, a população dobrou, mas a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior. Esta é a grande luta que devemos enfrentar com urgência: uma nova relação mais harmônica com o planeta e menos despótica com as outras formas de vida. As nossas Joias do Infinito são as tecnologias sustentáveis, a ética e a responsabilidade com o futuro para fazermos de forma diferente e melhor.

Cabe a nós, portanto, reagirmos e combatermos os poderosos Thanos que estão entre nós e pregam o desenvolvimento, mas ao custo de muita destruição e dor. Para esses, as milhares de espécies indefesas que correm o risco de desaparecer só tem um recado: