A densa fumaça Pantaneira durante o amanhecer. Porto Jofre/MT (© Leandro Cagiano / Greenpeace)

Fomos ao Pantanal relatar o drama que se desenrola no bioma e contar a história das pessoas impactadas e daqueles que vem atuando intensamente na região desde que a crise das queimadas começou. Além disso, levamos apoio pontuais à organizações e comunidades locais afetadas. 

Sabemos que o impacto dos incêndios é muito severo na biodiversidade, quem não ficou chocado/a com as onças e suas patas queimadas? Sim isso é inaceitável e falaremos mais sobre esses impactos em nosso material. Mas hoje resolvemos também entender como o fogo afeta os “povos do Pantanal”.

Mas quem são os povos do Pantanal? Os povos do Pantanal incluem comunidades quilombolas, povos indígenas, comunidades tradicionais, e pantaneiros. 

No último dia 23, saímos cedo de Cuiabá com destino à comunidade quilombola do Mata Cavalo, que é um complexo de comunidades. Mata Cavalo, na verdade, é o nome de um rio que passa pelo território, assim me contou seu Germano, que nos acompanhou e nos levou para visitar algumas famílias. 

O que vimos lá? Além de saber mais sobre a situação complicada vivenciada pelas comunidades quilombolas, algumas já cercadas pela expansão do agronegócio, perda de produção devido ao clima mais quente e a ausência do Estado, também pude ver roças inteiras queimadas, na comunidade de Mutuca e também em Mata Cavalo de Cima. Diferente do que Bolsonaro diz, não foram eles que colocaram fogo. O fogo veio de longe, e eles mesmos se mobilizaram para apagar.

Fomos ao Instituto Centro de Vida (ICV). Eles já são nossos parceiros em outras frentes de trabalho e estão abrindo um escritório para servir de centro logístico – junto à outras organizações – para receber, estocar e destinar doações. Nós entramos como parceiros nessa nova empreitada, que está em plena construção. 

A Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) também tem um espaço em Cuiabá. Lá fizemos a entrega de cestas básicas, recebidas pelo Soilo Urepê Chue. Ele nos contou a situação de urgência que enfrentam os povos indígenas, no caso da Terra Indígena Guató, eles até tiveram que sair de algumas regiões. Outros não têm nem o que beber. A situação é bem séria, e agora levará um tempo até conseguirem plantar e tirar seu sustento da terra. Ou seja, mesmo que a chuva chegue, o problema não estará resolvido. 

Fechamos o dia com bastante coisa na cabeça, com uma chuva bem leve caindo em Cuiabá. Celebramos à princípio, mas foi apenas uma garoa. 

Amanhã tem mais.

* A Expedição Pantanal ocorreu entre os dias 23 e 28 de setembro de 2020, no Mato Grosso. Acompanhe a cobertura pelo site e redes sociais do Greenpeace Brasil.