Greenpeace e MST fazem campanha de Natal nas redes sociais ressaltando o papel da agroecologia e da agricultura familiar no enfrentamento da fome e como estratégia de saúde

Desde o início da pandemia, o campo e a cidade deram as mãos numa onda de solidariedade poderosa. Para qualquer canto do país que você olhe, a agricultura familiar está em movimento,  combatendo a fome nas periferias urbanas e fortalecendo a saúde dos brasileiros com comida de qualidade, sem agrotóxicos. É o povo fazendo valer seu direito de comer direito, em meio a uma das maiores crises de saúde que o país já atravessou. 

“As redes de solidariedade que a sociedade civil vem formando no combate à fome são um recado muito vivo dos brasileiros: não vamos negociar nosso direito humano de se alimentar bem e viver com saúde”, diz Adriana Charoux, do Greenpeace Brasil. “A boa notícia é que temos saída: fortalecer a agricultura familiar agroecológica é a forma mais justa e eficiente de democratizar o acesso de toda a população brasileira a alimentos nutritivos e, consequentemente, à saúde”. 

É por isso que o Greenpeace Brasil resolveu iniciar uma campanha de Natal em suas redes sociais. Em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais (MST) e com o apoio de artistas de diferentes regiões do Brasil, uma série de conteúdos estão sendo criados para destacar o papel da agroecologia no enfrentamento da fome e como estratégia de saúde pública. Até o fim do ano, as famílias agricultoras do MST vão alcançar a marca de 4 mil toneladas de alimentos doados para as periferias urbanas durante a pandemia.  

“As ações de solidariedade realizadas pelo MST durante a pandemia possibilitaram às famílias camponesas compartilhar os frutos da reforma agrária, estabelecendo um diálogo direto com a sociedade sobre a importância do acesso a alimentos saudáveis e do cuidado com a vida. Para nós, solidariedade não é dar o que nos sobra, mas dividir o que temos. Por isso o MST tem realizado e se somado em ações de solidariedade com a classe trabalhadora, especialmente nos grandes centros urbanos que sofrem com a volta da fome e com o descaso das políticas públicas”, diz o movimento. 

E o Greenpeace corrobora: “Se as políticas públicas voltadas para a agricultura familiar fossem de fato implementadas, a agroecologia teria o potencial de amenizar todas as crises que estamos atravessando hoje no Brasil. Ao mesmo tempo em que fortalecemos a saúde da população com comida super nutritiva, geramos renda para milhões de famílias que produzem esses alimentos com práticas que regeneram o meio ambiente”, diz Adriana Charoux. 

Desequilíbrio de forças

Mas hoje, o Brasil ainda escolhe investir numa agricultura que tem mais compromissos com o lucro e com o mercado do que com o bem estar das pessoas. É essa agricultura de escala industrial – campeã de desmatamento e em emissões de gases de efeito estufa – que recebe cerca de 75% do orçamento nacional destinado ao setor. Já a agricultura familiar, que ocupa apenas 23% das terras agrícolas, é capaz de produzir cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. 

“É um desequilíbrio de forças gigante. E nós que vivemos nas cidades precisamos começar a nos perguntar com mais frequência de onde vem a comida que está no nosso prato. Quem estamos fortalecendo?”, pergunta Adriana, do Greenpeace. “Enquanto muita gente está em casa se protegendo da COVID-19, tem uma rede imensa de famílias em todo o Brasil produzindo alimentos nutritivos e sem veneno para fortalecer a saúde de outras famílias. É de família para família. Fortalecer a agroecologia é fortalecer a nós mesmos: é fortalecer o povo brasileiro”. 

Para piorar o cenário, no último mês de agosto o governo Bolsonaro vetou a maior parte do PL 735/2020, um projeto de lei que criaria a Lei Emergencial da Agricultura Familiar, para amenizar os impactos da pandemia sobre os pequenos produtores. Entre outras medidas, a proposta que ficou conhecida como Lei Assis Carvalho previa estender o auxílio emergencial a famílias de agricultores que não tivessem recebido o benefício. No próximo dia 16, quarta-feira, serão votados no Congresso os vetos que Bolsonaro fez ao PL. 

“O MST reafirma a importância e a necessidade da reforma agrária popular, como forma de buscar soluções para a fome no Brasil e para a construção da soberania alimentar e da agroecologia, onde a produção de alimentos está orientada pela agricultura familiar e  camponesa e o alimento é considerado um direito de todo ser humano. E que, portanto, deve ser garantido o acesso à terra, à água e à biodiversidade”, ressalta o movimento.

E sua família, já apoia a agricultura familiar? Para te dar uma mãozinha, organizamos uma lista com o contato de produtores agroecológicos nas cinco regiões do Brasil. Encontre o mais próximo de você.

E compartilhe as mensagens-chave da campanha nas suas redes sociais. As artes estão disponíveis neste link.