Nossa denúncia virou ação na Justiça! Depois de uma investigação que cruzou imagens de satélite, dados georreferenciados e informações oficiais sobre crédito rural, mostramos que o Banco do Brasil financiou uma fazenda cuja área se sobrepunha em 58,3% à Terra Indígena Rio Omerê, em Rondônia. Após a investigação, o Ministério Público Federal cobra na Justiça que o banco responda por esse financiamento irregular, pedindo a condenação da instituição para o pagamento de indenização de R$ 1 milhão revertido a projetos de proteção e fiscalização da Terra Indígena afetada, além da realização de auditoria independente e mudanças nos mecanismos de controle para evitar que novos recursos públicos cheguem a atividades ilegais em áreas protegidas. O caso foi denunciado como desdobramento do relatório Bancando a Extinção publicado pelo do Greenpeace Brasil em 2024, e ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal em Rondônia na última sexta-feira (31/07).

Na ação, o MPF argumenta que o Banco do Brasil possuía ferramentas técnicas capazes de identificar irregularidades antes da liberação do crédito e durante o período de financiamento, o que não foi feito, permitindo que a operação ficasse ativa, apesar da sobreposição da Terra Indígena.

Greenpeace Brazil activists stage a peaceful protest showing a devastation and a death at the bank's door, represented by financial institutions, and its lack of environmental protection, as well as burning trees and killing animals,  which are the direct victims of the loss of the forests. 
Greenpeace highlights the urgent role of the financial system in stopping resources for environmental destruction, which in turn fuels the climate emergency and the biodiversity crisis.

Ativistas do Greenpeace Brasil realizaram um protesto pacífico na sede do Banco do Brasil em 2024, em Brasília, para mostrar à instituição o resultado das falhas no processo de concessão de crédito, que leva ao desmatamento da Amazônia, e em outros biomas, e à nossa própria extinção. © Tuane Fernandes / Greenpeace

Essa ação judicial é um passo importante, por ampliar o debate sobre quem sustenta a destruição da floresta. Não basta que quem invade ou desmata pague a conta, é preciso olhar também para a responsabilidade de quem coloca dinheiro nessas atividades. Há anos o Greenpeace vem defendendo uma atuação mais rigorosa das instituições financeiras na prevenção de danos socioambientais, regras mais rígidas para o crédito rural, e sistemas de monitoramento capazes de impedir que recursos financiem crimes ambientais e violações de direitos indígenas.” afirma Ana Clis Ferreira, porta-voz do time de Florestas do Greenpeace Brasil.

O processo ainda será julgado, mas traz o recado claro de que financiar ilegalidades também pode ter consequências. Se a Justiça confirmar esse entendimento, o caso pode marcar um precedente importante para que bancos assumam a responsabilidade de verificar, com rigor, para onde vai o dinheiro que emprestam. Se acatado o pedido de indenização, também será uma vitória relevante para os povos indígenas como os Akuntsu e Kanoê, que vivem na Terra Indígena, fortalecendo a fiscalização e mostrando que a floresta em pé e respeito aos direitos humanos precisam fazer parte das decisões de quem movimenta bilhões em crédito todos os anos.

Sobre o caso

O caso do financiamento irregular do Banco do Brasil sobreposto à Terra Indígena Rio Omerê partiu de uma investigação do Greenpeace Brasil que cruzou dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), registros de crédito rural do Banco Central e imagens de satélite. A análise identificou que um financiamento de R$ 320 mil concedido pelo Banco do Brasil, em 2020, beneficiou uma propriedade destinada à pecuária cuja área declarada se sobrepunha em 58,3% à Terra Indígena homologada Rio Omerê, em Rondônia. O levantamento também mostrou que o CAR vinculado ao financiamento foi posteriormente cancelado por decisão administrativa, reforçando as evidências de irregularidades. Com base nessas informações, o Greenpeace Brasil levou o caso ao Ministério Público Federal, demonstrando que recursos públicos chegaram a uma atividade desenvolvida em área protegida, violando a Constituição Federal e a legislação brasileira. 

O Greenpeace atua investigando e denunciando crimes ambientais para pressionar empresas a agirem de maneira a evitar a destruição das nossas florestas e a violação de direitos de povos tradicionais. Se você acredita na importância deste trabalho, seu apoio é essencial.

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