Infográfico do Greenpeace reúne as histórias, imagens e dados sobre o desastre em Brumadinho. Seguiremos agora vigilantes para que novas tragédias não aconteçam

Distrito de Córrego do Feijão, no dia seguinte ao rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale. © Fernanda Ligabue / Greenpeace

Por onde passou, a lama tóxica que saiu da barragem de Córrego do Fundão, em Brumadinho, gerou destruição. No dia seguinte ao rompimento, a equipe do Greenpeace Brasil foi até a cidade mineira para reportar o que estava acontecendo, dar voz aos atingidos e cobrar quem deveria ser cobrado – no caso, a mineradora Vale, que mais uma vez agiu de forma negligente e é responsável por mais de 300 mortes.

Todo o percurso da equipe do Greenpeace na região de Brumadinho está agora reunido em uma página especial do nosso site, traduzido em mapas, imagens e textos. O infográfico conta histórias como a do povo indígena Pataxó Hã-hã-hãe. A aldeia fica a 22 quilômetros da barragem, mas a lama contaminada chegou até o trecho do Rio Paraopeba que corta o local. Os pataxó perderam parte de sua cultura, fortemente atrelada ao rio, que é fonte de alimentos e tradições.

Há também a história da professora Vera Baumfeld, que tem participado das discussões sobre licenciamento e fiscalização de barragens em Minas Gerais e atesta: há um acordo de cavalheiros entre os políticos locais e as mineradoras: “A tristeza é saber que a gente pode estar prestes a enfrentar tudo isso de novo”, diz.

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Contar essas histórias é importante porque mostra quem são as verdadeiras vítimas da atividade mineradora imprudente. Quando empresas agem pensando apenas em seus lucros, como fez a Vale, ou quando o governo permite atividades econômicas sem que haja processos de licenciamento e fiscalização devidos, as vítimas são sempre os mais fracos.

Aconteceu no Rio Doce, em 2015, aconteceu em Brumadinho em 2019 e, infelizmente, pode acontecer de novo. Desde o rompimento no Complexo de Paraopeba, o governo determinou a eliminação de barragens construídas em alteamento a montante (como a do Córrego do Feijão). E, até 2021 elas devem ser descomissionadas  – ou seja, os rejeitos devem ser retirados e a região revitalizada.

No início de abril, a Agência Nacional de Mineração interditou 56 barragens por problemas de estabilidade – dessas, 17 pertencem à Vale. E é crescente o número de barragens classificadas com risco severo ou iminente de rompimento, exigindo a evacuação da população que reside próxima a área. Até que todas essas barragens sejam, de fato, descomissionadas, elas seguem como bombas relógio.

A segurança em barragens de rejeito de minério é um problema sério no Brasil. E sua causa passa por um sistema de licenciamento ambiental e fiscalização falhos, nos quais os interesses das empresas se sobrepõem aos interesses sociais e ambientais.

Para que grandes obras tenham licença ambiental, por exemplo, é preciso que a população local seja ouvida, o que não acontece em muito casos. E a fiscalização das barragens existentes deve ser feita independente das próprias empresas, que são hoje quem contrata o laudo técnico e apresenta para o governo.  

Nós, do Greenpeace, pedimos justiça para o crime no Rio Doce e no Rio Paraopeba e,. Continuaremos trabalhando para evitar novas “fábricas de Marianas”.