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Defenda os Corais da Amazônia

Esse tesouro natural precisa estar livre da ameaça do petróleo.

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Entenda porque o recém-descoberto recife da Foz do Amazonas é único, talvez um novo bioma, que merece ser protegidos

Sob as águas turvas na costa do Amapá, uma diversidade de cores e formas de vida preenche o fundo do mar © UFRJ

Eles eram considerados algo improvável, mas sobrevivem na região onde o Rio Amazonas encontra o mar. O recife, chamado de Corais da Amazônia, foi uma descoberta que deixou o mundo científico de queixo caído – e felizes, muito felizes – por ver que a natureza encontra saídas para a vida em regiões que parecem inóspitas.

Só que o recife já está ameaçado pelo risco de operações petrolíferas em suas proximidades. Por isso, o Greenpeace lançou a campanha “Defenda os Corais da Amazônia”. Estamos unindo forças para mostrar às grandes empresas do petróleo que elas devem desistir já desses planos absurdos.

Entenda melhor o porquê estamos chamando o recife de tesouro natural:

1. Eles não têm frescura

Corais são seres vivos exigentes. Só existem em ambientes com características específicas, por exemplo, em temperaturas que oscilam entre 24,5 oC e 28,3 oC. Corais mais comuns suportam apenas uma concentração de sal entre 3,45% e 3,64%. Como o recife dos Corais da Amazônia está próximo ao encontro do Rio Amazonas com o Atlântico, a água ali é uma mistura de água doce e salgada. E eles se adaptaram bem.

2. Vivem na escuridão do mar

A água da região também é turva porque o rio carrega com ele pedaços de floresta: restos decompostos de árvores, folhas, terra, animais e tudo o que tiver caído em suas correntezas. Isso compromete a entrada da luz solar no oceano e o surgimento de espécies que fazem fotossíntese. Há pontos em que a luminosidade não passa de 2%. Só que corais comuns precisam de luz e oxigênio para viver. A solução para os corais desse recife foi contar com bactérias que os ajudam a produzir matéria orgânica e energia a partir de gás carbônico, água e outras substâncias inorgânicas presentes no mar (como amônia, ferro, nitrito e enxofre).

3. Curtem uma diversidade de seres

Na expedição científica em que os corais foram confirmados, pesquisadores coletaram exemplares com redes. Eles pegaram de uma só vez 900 quilos de esponjas. Elas eram de 30 espécies diferentes.

Pequena amostra da variedade de esponjas coletadas pelos cientistas

Pequena amostra da variedade de esponjas coletadas pelos cientistas © UFRJ

4. São (bem) maiores que a cidade de São Paulo

A área da formação de recife é extensa. São 9,5 quilômetros quadrados, abrangendo a faixa que vai da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa até o Maranhão. Isso corresponde a uma área 20% maior que a região metropolitana de São Paulo, que é a maior do Brasil e tem quase 8 mil quilômetros quadrados.

5. Não são iguais por toda a extensão

O recife muda de características conforme menos ou mais presença de água do rio ao longo de sua extensão. No setor norte (próximo à Guiana Francesa), há maior concentração de sedimentos do Amazonas e menos luz no fundo do mar. É a região de menor biodiversidade — e, ainda assim, é amplamente povoada por esponjas. Já no setor sul (próximo ao Maranhão), onde os sedimentos quase não chegam, a paisagem submarina é mais parecida com a de outros recifes tradicionais do Nordeste: predominam os corais e as algas moles, que fazem fotossíntese.

Alguns tipos de corais encontrados na região

Alguns tipos de corais encontrados na região © UFRJ

6. Passaram quase despercebidos por muito tempo

Há décadas se suspeitava da existência de recifes ocultos na foz do Amazonas. Em 1975, uma embarcação norte-americana de pesquisa percebeu a presença de espécies de peixes que só apareciam em locais com recifes no fundo do mar. Também notaram uma abundância alta de esponjas. A descoberta foi relatada em um simpósio em 1977, mas nunca mais houve grandes avanços. Outro fator que gerava a desconfiança era a alta produtividade da pesca regional de lagosta, pargo e outras espécies marinhas naturalmente associadas a ecossistemas recifais. Foi só em 2010 que pesquisadores voltaram a estudar a região até a confirmação, em 2016.

7. Uniram muita gente inteligente

O estudo que descreveu a descoberta da formação de corais foi assinado por uma equipe de 38 pesquisadores, técnicos e alunos de pós-graduação, de 12 instituições diferentes, a maioria do Brasil. Ou seja, eles mostraram o valor do trabalho em conjunto.

8. Ninguém os viu debaixo d’água até hoje

A humanidade já chegou à lua e transmitiu imagens até de Plutão, o mais distante planeta do Sistema Solar. Mas ainda não viu um ecossistema tão incrível quanto os Corais da Amazônia em seu habitat natural. Bom, pelo menos até agora. O Greenpeace está a bordo do Navio Esperanza para tentar avistar o recife de perto pela primeira vez. Vamos usar um submarino e entender melhor como esse ecossistema funciona!

Navio Esperanza na costa do Amapá e em meio a águas turvas

Esperanza na costa do Amapá: águas turvas ocultaram essa riqueza de vida no fundo do mar © Daniel Beltrá / Greenpeace

Agora que você conhece melhor os Corais da Amazônia, não acha que eles merecem mesmo nossa proteção? Embarque em nossa campanha e assine a petição!