© Brooke Pyke / Greenpeace

Os principais pedidos do Greenpeace Brasil para a proteção dos oceanos, em um ano decisivo para o futuro do mar

Há o mito de que se você pular 7 ondinhas e fizer seus pedidos na passagem do ano novo, Iemanjá, orixá do mar e das águas nas religiões afro-brasileiras, lhe trará boas energias e renovação para o ano que começa. 

E nós, que seguimos sempre abertos a boas bênçãos, especialmente quando elas dizem respeito à proteção dos mares, entramos neste novo ano com pedidos que precisam atravessar o campo do simbólico e se transformar em ação concreta, compromisso público e decisões políticas capazes de garantir um futuro para os oceanos.

A seguir, reunimos os principais pedidos que orientam nossa visão para os mares em 2026:

1. Boas perspectivas para a primeira COP dos Oceanos

Peixe de grande porte nada em águas rasas e cristalinas.
A luz do sol atravessa a superfície e ilumina o corpo prateado do animal.
© Greenpeace / BRIDGET FERGUSON

O Tratado Global dos Oceanos (“Acordo sobre Biodiversidade Marinha Além da Jurisdição Nacional”, sigla BBNJ em inglês) entrou em vigor em 17 de janeiro de 2026 após alcançar as 60 ratificações necessárias exigidas por seu texto legal. 

O acordo cria um quadro legal para proteger ecossistemas marinhos em águas internacionais, permitindo, por exemplo, a criação de áreas marinhas protegidas e avaliações de impacto ambiental para atividades econômicas no alto-mar.

A realização da primeira Conferência das Partes (COP) do tratado em 2026 é uma oportunidade de transformar intenções em planos e prioridades concretas no plano global. A comunidade científica e ambiental espera que essa COP acelere a conservação de ecossistemas altamente vulneráveis. 

2. Propostas concretas para a proteção do Atlântico Sul

Ave marinha de grande porte voa com as asas abertas sobre o oceano.
Ao fundo, o mar azul se estende até o horizonte, com uma faixa de terra distante.
A cena transmite a vastidão do oceano e a liberdade do voo sobre as águas.
© Axel Indik / Greenpeace

O desafio de proteger os oceanos passa, necessariamente, pela ampliação de áreas marinhas protegidas em escala global, um compromisso assumido por países de todo o mundo ao estabelecer a meta de conservar pelo menos 30% dos oceanos até 2030. 

No Atlântico Sul, região estratégica para o equilíbrio climático e a biodiversidade marinha, essa agenda ganha contornos ainda mais urgentes. Além de abrigar ecossistemas sensíveis e rotas migratórias fundamentais, trata-se de um território profundamente conectado à vida dos povos do mar, cujos modos de vida, saberes e culturas são inseparáveis do oceano. 

Manguezais como os da costa amazônica, um dos principais contínuos de mangue do mundo, e os recifes de corais, como os da área de proteção ambiental Costa dos Corais, no Nordeste, são exemplos de ecossistemas-chave: verdadeiros berçários da vida marinha, essenciais para a segurança alimentar e para a regulação do clima. 

O compromisso brasileiro de criar áreas protegidas no oceano fortalece a proteção do mar em uma escala compatível com sua importância. E isso pode e deve ser conectado com metas climáticas e baseado em um forte diálogo com a sociedade.

3. Atenção às eleições nos estados costeiros

Pessoa com macacão laranja do Greenpeace segura uma grande faixa em manifestação urbana.
Ato ocorre em avenida cheia, com prédios altos e pessoas reunidas ao redor.
© Tuane Fernandes / Greenpeace

Os governos estaduais brasileiros têm papel direto na gestão costeira e na regulação e monitoramento de atividades como pesca, turismo e licenciamento ambiental no litoral. A agenda dos oceanos deve estar integrada às discussões eleitorais de 2026 para assegurar políticas públicas que considerem os modos de vida dos povos do mar, a saúde pública das populações costeiras e a adaptação climática das cidades nos 17 estados costeiros no Brasil.

Políticas estaduais influenciam diretamente a conservação de manguezais, recifes e praias e são fundamentais para a implementação efetiva do Plano Clima e da Lei do Mar, por exemplo.

4. Suspensão da licença na Foz do Amazonas

Vista aérea de uma extensa praia com coqueiros e encontro de águas escuras e claras.
Barreiras flutuantes indicam contenção de poluição próxima à costa.
© Nilmar Lage / Greenpeace

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas já demonstrou, na prática, que envolve riscos ambientais reais. Em janeiro de 2026, menos de três meses após a concessão da licença, foi registrado um vazamento de fluido de perfuração durante atividades da Petrobras. Embora a empresa tenha afirmado que o material estava dentro dos limites de baixa toxicidade, o próprio incidente levou a ANP a solicitar esclarecimentos formais sobre o ocorrido. 

O episódio reforça alerta já feitos pela ciência e por organizações socioambientais, como o Greenpeace Brasil, sobre a vulnerabilidade da região e evidencia que nem mesmo as operações iniciais estão livres de falhas. Diante disso, nós ingressamos junto com outras organizações da sociedade civil com ação judicial no Amapá para anular a licença, defendendo o princípio da precaução, a escuta das comunidades locais e a proteção de um dos ecossistemas marinhos mais sensíveis do planeta.

5. Sem mineração em águas profundas

Navio do Greenpeace navega no mar com faixas amarelas de protesto.
Banners afirmam que o mar profundo não está à venda e denunciam a mineração em águas profundas.
© Maïté Baldi / Greenpeace

A atividade de exploração de minerais segue habitando o tema de debates entre cientistas, governos e organizações da sociedade civil, diante dos altos riscos ambientais associados à mineração em águas profundas, atividade capaz de causar danos irreversíveis a esses ecossistemas. 

Em 2026, reuniões da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ou ISA, na sigla em inglês) poderão finalizar regras para o desenvolvimento dessa atividade. Além disso, o governo dos Estados Unidos ameaça autorizar que a empresa The Metals Company inicie a mineração no Pacífico, contornando as discussões na ISA. 

Serão momentos críticos para reforçar o pedido de muitos países, incluindo o Brasil, pela moratória da mineração nas profundezas do oceano. Esperamos que o Brasil utilize espaços políticos para defender decisões baseadas na ciência, no valor cultural que o oceano representa para os povos e na proteção da biodiversidade marinha, evitando a abertura de uma nova fronteira de exploração extremamente danosa ao oceano.

6. Combate à poluição por plástico nos oceanos

Praia coberta por grande quantidade de lixo plástico espalhado pela areia.
Pessoa caminha entre os resíduos carregando um balde, enquanto outras aparecem ao fundo.
O mar, coqueiros e céu nublado contrastam com a poluição na faixa costeira.
© Made Nagi / Greenpeace

A poluição por plástico é reconhecida como uma das principais ameaças aos ecossistemas marinhos, afetando a saúde humana e a vida no mar. A conclusão do Tratado Global sobre Plásticos, acordo que pode apresentar diretrizes para o enfrentamento de tipo de poluição no mundo todo, foi adiada de 2025 para 2026. 

Na COP30, o governo brasileiro lançou a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP) para atuar na prevenção, redução e eliminação da poluição por plástico no oceano. É essencial que a implementação desta estratégia fortaleça a participação brasileira na negociação de um Tratado corajoso e eficaz. 

7. Mais espaço para as baleias cantarem e viverem

Duas baleias nadam lado a lado logo abaixo da superfície do oceano.
A luz atravessa a água azul-escura e ilumina seus corpos e nadadeiras.
A cena transmite calma e a proximidade entre os animais no ambiente marinho.
© Brooke Pyke / Greenpeace

A proteção dos oceanos também passa por garantir que as baleias tenham espaço para cantar, migrar, se reproduzir e criar seus filhotes em segurança. No Brasil, conquistas importantes já fazem parte desse caminho, como a proteção de áreas fundamentais para a reprodução de espécies migratórias ao longo da costa. 

Esses gigantes do mar enfrentam não apenas as ameaças históricas da caça e da poluição plástica, mas também riscos cada vez maiores, como a mineração em águas profundas. Há anos, o Greenpeace atua na defesa das baleias e de seus habitats

Em 2026, queremos seguir apoiando e fortalecendo ações de proteção que conectam o mar brasileiro às águas internacionais. Proteger as baleias é proteger o equilíbrio dos oceanos, a vida marinha como um todo e promover uma relação mais respeitosa entre as pessoas e o mar.

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