Redução do desmatamento no bioma é consequência de medidas como o fortalecimento da fiscalização e aplicação de embargos;
Contudo, El Niño confirmado e retrocessos em andamento no Congresso podem colocar os resultados em risco

São Paulo, 11 de junho de 2026 – Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quinta-feira (11), mostram que os alertas de desmatamento do sistema DETER para maio, no bioma Amazônia, atingiram a segunda menor área desmatada para o mês desde 2016, totalizando 370,26 km² – uma redução de 61% em relação ao mesmo período de 2025.
O Greenpeace Brasil celebra a redução dos alertas de desmatamento, mas pondera que, diante da confirmação do El Niño para 2026, haverá avanço da estação seca e um cenário propício para a atividade de desmatadores e queimadas.
“A expressiva redução dos alertas de desmatamento para o mês de maio na Amazônia é um resultado a ser comemorado e é consequência de uma série de ações adotadas pelo governo federal, como o fortalecimento das ações de fiscalização e da aplicação de embargos, inclusive remotos – um instrumento de fiscalização via satélite de suma importância para a proteção ambiental, mas que o Congresso Nacional tem trabalhado para impedir, por meio do PL 2564/2025.”, afirma a porta-voz da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira.
A partir do embargo remoto o Ibama identifica desmatamentos ilegais e embarga a área para impedir a continuidade da atividade criminosa. Atualmente, quase metade dos embargos são emitidos remotamente. Na contramão deste avanço, o PL 2564/2025, aprovado na Câmara dos Deputados em maio, tenta impedir órgãos ambientais como o Ibama de fazer embargos remotos usando imagens de satélite.
“A história nos mostra que a queda do desmatamento na Amazônia pode ser frágil, e que a destruição ocorre mais rapidamente do que a proteção. Estamos em ano eleitoral e a dinâmica do desmatamento é altamente sensível a variações de fiscalização e ao contexto político”, explica Ferreira.
El Niño confirmado pode reverter queda de desmatamento no bioma
Em 2024, ano de El Niño, a Amazônia viveu a pior seca de sua história. Com a vegetação mais seca, o ano também foi atípico e alarmante em relação ao fogo em todo o Brasil, com um aumento expressivo na área queimada em quase todos os biomas. Nesta quinta-feira (11), o órgão estadunidense NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional), confirmou o retorno do fenômeno El Niño em 2026, com a possibilidade de ser um dos mais intensos.
“Diante da confirmação do El Niño, será necessário fortalecer as medidas de prevenção para evitar o início do fogo ilegal, lembrando que o fogo na Amazônia não ocorre de forma natural, mas é resultado da ação humana, especialmente da expansão do agronegócio sobre área de vegetação nativa ou para a renovação de pastagens. Também é necessário garantir a capacidade de resposta rápida para evitar cenários parecidos ou até piores que os vistos em 2024”, ressalta Ferreira.
O Greenpeace Brasil alerta que, neste contexto de previsões de temperaturas mais elevadas e maior risco de secas prolongadas em decorrência do El Niño, será necessário ampliar a fiscalização do uso ilegal do fogo, fortalecer brigadas e garantir recursos para monitoramento e combate aos incêndios. Este alerta já foi reforçado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou à União e aos estados da Amazônia Legal informações sobre as medidas e os planejamentos adotados diante das projeções para os próximos meses. O prazo para os estados e municípios fornecerem essas informações vence hoje.
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