Organização defende moratória à mineração em águas profundas 

Volunteers from local groups in Bertioga, in the coast of the state of São Paulo, as well as groups from the East Zone of São Paulo, Manaus (AM) and São Luís (MA) in Brazil, join the Global Day of Action Against Deep Water Mining.

Businesses and governments are pushing for deepwater mining to be allowed in international waters. But the search for ores and metals at the bottom of the sea is a threat to marine life. Collectively, we can put pressure on global leaders to champion the unique biodiversity that exists in the oceans and ensure that this ecosystem is protected.

São Paulo, 13 de julho de 2026 Começam nesta segunda-feira (13) e seguem até 31 de julho as reuniões do Conselho e da Assembleia da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), na Jamaica. Na pauta está a definição de regras de licenciamento para a mineração em águas profundas, atividade que corporações e alguns países pressionam para liberar antes da definição de salvaguardas ambientais. O Greenpeace Brasil lança hoje uma nota técnica sobre o tema e defende a aprovação de uma moratória global à mineração em mar profundo.

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A rodada ocorre em meio à escalada de tensões provocada por movimentos unilaterais dos Estados Unidos, que passaram a autorizar licenças de mineração em águas internacionais sem aval da ISA, órgão vinculado à ONU responsável por regular a atividade em áreas além das jurisdições nacionais. Processos internacionais movidos por mineradoras contra a ISA também pressionam as negociações. 

“Mais uma vez, os países estão diante de uma decisão crucial: ceder à pressa da indústria ou proteger um patrimônio que pertence a toda a humanidade. Não existe meio-termo possível quando o que está em jogo é irreversível”, diz Mariana Andrade, coordenadora da frente de oceanos no Greenpeace Brasil.

Repercussão no Brasil

A pressão internacional tem reflexo direto no Congresso brasileiro. Tramita no Legislativo o Projeto de Lei dos Minerais Críticos, que pode flexibilizar a mineração no país e abrir precedente para que esse tipo de atividade também ocorra em áreas oceânicas e na zona costeira brasileira, o que, na avaliação do Greenpeace Brasil, está em descompasso com a posição que o Brasil defende internacionalmente.

O Brasil integra o grupo de 43 países que defende uma pausa preventiva à mineração em águas internacionais na ISA. A Secretaria-Executiva do órgão é ocupada pela brasileira Letícia Carvalho desde 2024, eleita em candidatura apoiada nos pilares da neutralidade, da base científica e do fortalecimento do multilateralismo. Carvalho tem sido cobrada para que seu legado responda à pressão privilegiando a precaução, não a conivência com a destruição.

Contexto

O fundo do mar é um dos ecossistemas menos estudados do planeta e tem papel relevante na regulação do clima. A atividade de mineração mira minerais críticos em áreas consideradas patrimônio comum da humanidade,  cuja exploração, segundo o tratado que rege a ISA, deveria gerar benefícios compartilhados entre os países, com atenção às nações em desenvolvimento.

Estudos apontam riscos ambientais como destruição de habitats, poluição sonora e luminosa, além da dispersão de sedimentos que podem afetar a cadeia alimentar marinha e a pesca em regiões costeiras distantes das áreas de extração. Empresas do setor argumentam que os minerais extraídos são necessários para a transição energética e a fabricação de baterias. O argumento, no entanto, é contestado por um estudo do Greenpeace, que indica a mineração em águas profundas como uma aposta de risco alto para um problema que já conta com alternativas em desenvolvimento, como a reciclagem de baterias e a economia circular.

“A urgência pela transição energética não pode se transformar em uma licença para um ‘vale-tudo’. O Brasil tem o dever político e histórico de liderar os países em desenvolvimento para barrar esse avanço predatório. O multilateralismo deve servir ao bem público e à proteção da vida, e não se curvar à intimidação e ao lobby corporativo que quer privatizar e destruir o mar profundo”, adiciona Andrade.

Sobre o Greenpeace Brasil

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