Números apontam para um rápido avanço do processo de desmatamento. Enquanto isso, fogo continua sem dar trégua na Amazônia

Parede de fogo em Peixoto de Azevedo (MT), registrada no último dia 5. © Chico Batata/Greenpeace

Os incêndios que assolam a Amazônia este ano, chamando atenção para a falta de políticas ambientais do atual governo, continuam à todo o vapor na floresta. Em um novo sobrevoo realizado pelo Greenpeace na última quinta-feira (5), pelo norte do Mato Grosso e sudoeste do Pará, encontramos incêndios e uma parede de fogo com mais de 15 quilômetros de comprimento. Foram mais de 7,5 horas voando através da fumaça e fuligem, com visibilidade extremamente reduzida.

A confirmação dos pontos indicados pelo satélite, apesar de trágica, não chega a ser uma surpresa, já que os incêndios florestais estão intimamente ligados ao desmatamento e os alertas de desmatamento vinham subindo desde o início do ano. “O fogo é usado para preparar pastos e terra para agricultura, mas também faz parte do processo de desmatamento em si, onde é usado para finalizar a destruição da floresta. Depois que as maiores árvores são cortadas os desmatadores ateiam fogo à mata para queimar a vegetação que ainda resistir na área”, explica Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace.

De janeiro a agosto, o número de focos de incêndios na Amazônia cresceu 111%, em relação aos números do mesmo período do ano passado. Um aumento que tem acompanhado a tendência de crescimento nos alertas de desmatamento. Desde o início do ano até o final de agosto a área de alertas de desmatamento aumentou 75%, na comparação com o mesmo período de 2018, e continua a crescer.

De acordo com os dados mais recentes do Deter, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), só em agosto a área com alertas de desmatamento foi 321% maior, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram 1.664 Km² com alertas de desmatamento.

O Deter é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia. Em operação desde 2004, o sistema foi desenvolvido para alertar e servir de suporte à fiscalização e controle do desmatamento e da degradação florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama e demais órgãos ligados a esta temática.

“O governo vem acompanhando o aumento dos alertas desde o início do ano, mas ao invés de usar estes dados para agir contra seu avanço, a diretriz foi negar os fatos e chamar os pesquisadores de mentirosos. O resultado está aí, queimadas e destruição consumindo a Amazônia”, afirma Batista.

O aumento nos focos de incêndio na Amazônia tem uma causa: a deliberada falta de ação do governo Bolsonaro diante dos desafios de proteger a Amazônia. “É como se o governo, vendo a floresta pegar fogo, estivesse preparando os marshmallows para apreciar o momento. Para combater o problema, o governo planeja uma grande campanha publicitária. Mas parece que ações de prevenção e controle não serão tomadas sem pressão popular”, observa Rômulo Batista.

Agosto foi apenas o primeiro mês da temporada seca na Amazônia, a tragédia, infelizmente, está apenas começando.

#TodospelaAmazônia.

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  • Texto atualizado em 12/09/2019