Reunido em Belém, Conselho Político da articulação denunciou ameaças após o primeiro turno das eleições e debateu estratégias para enfrentar o avanço do garimpo e da mineração na Amazônia

Nos dias 7, 8 e 9 de outubro, a Aliança em Defesa dos Territórios Kayapó, Yanomami e Munduruku reuniu seu Conselho Político em Belém (PA) para avaliar a situação das comunidades e fortalecer estratégias conjuntas de proteção territorial.
Apesar dos avanços após as operações de desintrusão, realizadas pelo governo federal, o encontro reforçou a importância da articulação entre os povos Kayapó, Yanomami e Munduruku para seguir enfrentando as ameaças que atingem diferentes territórios, mas têm raízes comuns: a exploração predatória dos recursos naturais e a concentração dos benefícios econômicos, enquanto as comunidades ficam com os impactos ambientais e sociais.
Durante a reunião, representantes dos três povos compartilharam preocupações com a retomada do garimpo, as ameaças às lideranças e a permanência dos impactos ambientais e sanitários nos territórios.
Na Terra Indígena Yanomami, apesar dos avanços após as operações de desintrusão, ainda existem áreas sob pressão garimpeira. A possível descontinuidade da Casa de Governo no fim de 2026 também preocupa as lideranças, que temem novas invasões a partir de 2027.
Nas terras Munduruku, foram relatados sinais de retomada do garimpo em regiões do Alto Tapajós, além de ameaças a organizações e indígenas envolvidos no monitoramento territorial. Já na Terra Indígena Kayapó, os participantes denunciaram o retorno da atividade garimpeira em 2026 e o avanço do desmatamento. Na Terra Indígena Baú, a demora na resposta dos órgãos públicos às denúncias também foi apontada como um problema.
territorial. É necessário garantir fiscalização permanente, fortalecer o monitoramento indígena e proteger quem denuncia as invasões.Os relatos reforçam que a retirada dos invasores é apenas uma etapa da proteção
A disputa política pela mineração
Outro tema central foi o avanço de propostas para regulamentar a mineração em terras indígenas. Para as lideranças, a disputa envolve o futuro dos direitos territoriais e a pressão econômica sobre áreas fundamentais para a conservação da Amazônia.
O artigo 231 da Constituição Federal estabelece condições específicas para a exploração mineral em Terras Indígenas, incluindo a autorização do Congresso Nacional, a consulta às comunidades afetadas e a participação nos resultados da lavra, na forma da lei. As organizações alertam, porém, para os riscos de iniciativas que ampliem a exploração sem garantir a proteção dos povos e de seus territórios.
Diante desse cenário, a Aliança defende o fortalecimento da organização política, da governança territorial e das alternativas econômicas sustentáveis. Entre as estratégias debatidas estão o apoio ao monitoramento autônomo, a criação de zonas livres de mineração e o fortalecimento de alianças com organizações e setores da sociedade comprometidos com os direitos indígenas.
Defender os territórios é defender a Amazônia
O encontro ocorreu após o primeiro turno das eleições, em meio a relatos de ameaças de garimpeiros contra comunidades indígenas em diferentes estados, motivadas pelos resultados eleitorais. Em carta à sociedade brasileira, as lideranças alertaram para o posicionamento de políticos favoráveis à mineração em Terras Indígenas e contrários aos direitos dos povos originários.
“Eles estão ansiosos para colocar em prática seu projeto de destruição dos nossos territórios”, afirmam na carta, que também convoca a população a participar do segundo turno das eleições.
O documento destaca que, segundo dados do MapBiomas, a exploração mineral ilegal nas Terras Indígenas Kayapó, Munduruku e Yanomami cresceu mais de 128% entre 2018 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. O avanço do garimpo deixou um rastro de desmatamento, contaminação dos rios, doenças e violência contra as comunidades.
As lideranças também afirmam que continuarão resistindo, independentemente do cenário político a partir de 2027. Também fazem um apelo à sociedade para que não se cale diante das ameaças.
A defesa dos territórios indígenas exige políticas públicas permanentes, proteção às lideranças e mobilização coletiva. Defender os direitos dos povos originários é também proteger os rios, as florestas e o futuro da Amazônia.
A defesa dos territórios também depende da nossa mobilização. Assine a petição Amazônia Livre de Garimpo e junte-se à luta para proteger os povos indígenas, os rios e as florestas da Amazônia. O garimpo não pode continuar destruindo nossos territórios. Assine e compartilhe!
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