De Olho no Garimpo permite que qualquer pessoa analise imagens de satélite para ajudar a identificar atividades suspeitas em áreas protegidas e apoiar a proteção da floresta.

Enquanto o garimpo avança sobre rios e Terras Indígenas, destruindo a floresta e ameaçando os povos que há séculos a protegem, a sociedade também pode ocupar um papel fundamental nessa defesa. Combater o garimpo ilegal não é responsabilidade apenas dos órgãos de fiscalização. É um esforço coletivo que depende de governos comprometidos, instituições fortes e cidadãos dispostos a agir.
Foi para ampliar essa rede de proteção que o Greenpeace Brasil criou o De Olho no Garimpo, uma plataforma colaborativa que convida qualquer pessoa a monitorar áreas da Amazônia por meio da análise de imagens de satélite. Mais do que uma ferramenta tecnológica, ela transforma a indignação em participação e aproxima a sociedade da defesa dos territórios indígenas e da floresta.
O lançamento do De Olho no Garimpo ocorreu durante a Brasil Game Show (BGS), em São Paulo, durante os dias 9 a 12 de outubro. A maior feira de games da América Latina foi o ponto de partida para apresentar a plataforma a um novo público e convidar mais pessoas a usar a tecnologia para ajudar a identificar sinais de garimpo ilegal na Amazônia.
Há décadas, o Greenpeace utiliza imagens de satélite para investigar crimes ambientais, denunciar desmatamento, monitorar invasões e reunir evidências que apoiam a defesa dos povos indígenas e da floresta. Agora, esse trabalho deixa de acontecer apenas dentro do nosso departamento de pesquisa. Com o De Olho no Garimpo, milhares de pessoas poderão contribuir diretamente para identificar indícios de garimpo ilegal em alguns dos territórios mais ameaçados da Amazônia.
A plataforma foi desenvolvida pelo Global Mapping Hub, em parceria com o Greenpeace Brasil e o Greenpeace Alemanha e monitora inicialmente, a Terra Indígena Sararé e o rio Madeira, uma das principais rotas do garimpo na Amazônia. São lugares que concentram enorme riqueza ambiental, cultural e espiritual, mas que também estão entre os mais pressionados pelo garimpo ilegal.
Tecnologia a serviço da floresta
O De Olho no Garimpo utiliza imagens de satélite para que qualquer pessoa possa identificar alterações na paisagem que podem indicar atividades relacionadas ao garimpo.
Antes de começar, cada participante passa por um tutorial simples que ensina como reconhecer os principais sinais deixados pela mineração ilegal. Nas áreas de rios, por exemplo, é possível identificar balsas utilizadas para extração de ouro. Algumas aparecem agrupadas lado a lado; outras deixam longos rastros de sedimentos provocados pelas chamadas balsas escariantes, embarcações que revolvem o fundo dos rios para alcançar o minério.
Em áreas de floresta, os indícios também são claros. O garimpo deixa cicatrizes visíveis: grandes manchas sem vegetação, solo completamente exposto, lagos artificiais e alterações profundas na paisagem que podem ser observadas nas imagens de satélite.
A missão dos participantes é analisar essas imagens e sinalizar locais onde existam indícios de atividade suspeita. Cada denúncia é posteriormente analisada pela equipe técnica do Greenpeace Brasil. Cada imagem analisada pode ajudar a localizar uma nova frente de destruição antes que ela avance ainda mais sobre a floresta.
Os territórios monitorados pela plataforma não foram escolhidos por acaso. Cada um apresenta um contexto específico de pressão ou atividade relacionada ao garimpo. A Terra Indígena Sararé, por exemplo, está entre as áreas mais pressionadas pelo garimpo ilegal, enquanto o Rio Madeira é uma importante rota de circulação de dragas e concentra atividades de garimpo ao longo de seu curso.
O próprio monitoramento da plataforma já identificou dois casos suspeitos no Rio Madeira, incluindo dragagem hidráulica nas margens do rio e uma forma mais danosa de garimpo ilegal que ainda não havia sido registrada na região. É um exemplo de como a análise de imagens de satélite pode ajudar a encontrar atividades que poderiam passar despercebidas.
Faça parte dessa rede de proteção
O combate ao garimpo ilegal exige fiscalização, políticas públicas e responsabilização dos envolvidos. Mas também exige participação. Cada pessoa que acessa o De Olho no Garimpo amplia a capacidade de monitorar a floresta, fortalece a produção de evidências e contribui para proteger territórios indígenas ameaçados.

Plataforma de monitoramento colaborativo que utiliza imagens de satélite para identificar possíveis atividades de garimpo na Amazônia. © Divulgação/ Greenpeace
Para acabar com esse ciclo de destruição, também precisamos mudar as regras que permitem que o ouro ilegal continue entrando no mercado como se fosse legal.
Depois de participar do De Olho no Garimpo, dê mais um passo pela floresta. Assine a petição Amazônia Livre de Garimpo e some sua voz a milhares de pessoas que defendem o fim do garimpo em Terras Indígenas e a proteção da floresta e dos povos que a mantêm viva.
Sem a ajuda de pessoas como você, nosso trabalho não seria possível. O Greenpeace Brasil é uma organização independente - não aceitamos recursos de empresas, governos ou partidos políticos. Por favor, faça uma doação mensal hoje mesmo e nos ajude a ampliar nosso trabalho de pesquisa, monitoramento e denúncia de crimes ambientais. Clique abaixo e faça a diferença!


