Em manifesto, organizações alertam que empresas podem impedir a destruição de mais de 30% do bioma que abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras

Vista aérea da cidade de Balsas, Maranhão, na região do Matopiba, confluência dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O Cerrado brasileiro já perdeu em torno de 50% de sua formação original devido à expansão do agronegócio (Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace)

Entre 2013 e 2015, o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses, neste período, perdemos no bioma o equivalente à área da cidade de São Paulo. Este ritmo de destruição o torna um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Por essa razão, o Greenpeace Brasil e demais organizações ambientalistas lançam hoje o manifesto: Nas mãos do mercado, o futuro do Cerrado: é preciso interromper o desmatamento.

No manifesto, 40 organizações afirmam que a principal causa da destruição do bioma é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa. Dada à grave situação do Cerrado, que supera há mais de dez anos as taxas de desmatamento da Amazônia, as entidades pedem uma medida imediata em defesa do Cerrado a ser tomada pelas empresas que compram soja e gado desse bioma, assim como os investidores que atuam nesses setores, no sentido de adotarem políticas e compromissos eficazes para eliminar o desmatamento e desvincular suas cadeias produtivas de áreas naturais recentemente convertidas em pasto ou plantações de soja.

As organizações também cobram o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo governo no Acordo de Paris e que sejam criados instrumentos e políticas para uma produção mais responsável e unidades de conservação no Cerrado. Alertam que só cumprir a lei não é suficiente, pois ela autoriza que mais 40 milhões de hectares sejam legalmente convertidos no bioma.

“A exemplo de compromissos assumidos por empresas na Amazônia para eliminar o desmatamento de suas cadeias, é fundamental que um passo na mesma direção seja dado para o Cerrado, onde a situação do desmatamento é muito grave”, afirma Cristiane Mazzetti, especialista em desmatamento zero do Greenpeace Brasil.

O manifesto traz 15 argumentos que justificam seus pedidos, sendo alguns deles:

  • O Cerrado abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras e responde por um terço da biodiversidade do Brasil, com 44% de endemismo de plantas, mas está ameaçado, tendo perdido cerca de 50% de sua área original;
  • Se mantido o padrão de destruição do Cerrado observado entre 2003 e 2013, até 2050 serão extintas 480 espécies de plantas e mais de 31 a 34% do Cerrado poderá ser perdido;
  • As emissões de gases de efeito estufa decorrentes desse processo impedirão o Brasil de cumprir com seus compromissos no Acordo de Paris;
  • A redução do bioma pode alterar o regime de chuvas na região, impactando a produtividade da própria atividade agropecuária;

O governo brasileiro se comprometeu a disponibilizar os dados oficiais do desmatamento do Cerrado anualmente. Um dos argumentos trazidos por parte do setor privado para justificar a falta de monitoramento de suas cadeias produtivas era a ausência do Prodes do Cerrado. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações já publicou os dados oficiais até 2015 e afirma que o monitoramento começará a ser realizado anualmente, como ocorre no bioma Amazônia.

Leia aqui o manifesto na íntegra.

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