Imagem aérea dos garimpos ilegais na Terra Indígena Munduruku
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Pesquisa Datafolha mostra que brasileiros acreditam ser possível desenvolver o país a partir da floresta em pé

Floresta próxima ao Rio Tapajós. © Valdemir Cunha / Greenpeace
Floresta próxima ao Rio Tapajós, na região da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, no Pará. © Valdemir Cunha / Greenpeace

A polarização que divide a sociedade brasileira em muitos temas não é a mesma quando se trata da Amazônia: a maioria absoluta dos brasileiros considera a floresta muito importante e quer ela protegida, segundo o Datafolha. Entre 6 e 18 de agosto, o Instituto realizou 1.524 entrevistas por telefone com moradores de capitais e cidades do interior de todas as regiões do país para saber a opinião do brasileiro sobre a Amazônia. As principais conclusões são que a ampla maioria dos entrevistados:

– Defende a proteção da floresta e acredita que é possível o Brasil se desenvolver sem desmatar;

– Reconhece que o desmatamento está aumentando;

– Atribui ao Governo Federal a maior responsabilidade de protegê-la; 

– Reconhece os povos indígenas como os maiores protetores da floresta atualmente;

– Entende a Amazônia como fundamental para o equilíbrio do clima do planeta.

Por que essas constatações são importantes? “Porque, lamentavelmente, o Governo Bolsonaro tem ido na contramão do que deseja a população brasileira, promovendo uma campanha de desinformação em relação à Amazônia que a pesquisa Datafolha demonstra, agora, não está colando junto à sociedade” diz a nossa especialista em desmatamento e porta-voz da campanha da Amazônia, Cristiane Mazzeti. 

A pesquisa foi destaque em reportagens do Fantástico e da Folha de S.Paulo.

A importância da Amazônia

A pesquisa mostrou que proteger nossa floresta tropical está além de qualquer diferença ideológica, seja esquerda ou direita. Em uma escala de 0 a 10 sobre a importância da preservação da Amazônia, sendo 0 nada importante e 10 muito importante, 87% dos entrevistados deram a nota máxima (10); 11% variaram entre as notas 7 e 9. No final, a nota média é 9.7 (gráfico abaixo, clique na imagem para ampliar).

Os entrevistados também avaliaram o que para eles é mais importante em relação à Amazônia: os animais e a biodiversidade; para evitar o aquecimento do planeta; para evitar mudanças extremas no clima do planeta; para a imagem do Brasil no exterior; para a economia do país, e para evitar o surgimento de novas pandemias; e para a produção de alimentos.

Pergunta: De 0 a 10, sendo 0 nada importante e 10 muito importante, qual a importância da Amazônia para:

A situação e a responsabilidade do desmatamento

Por mais que o governo federal busque maquiar a realidade, a destruição da floresta não está passando despercebida pela sociedade: 73% dos entrevistados afirmaram que o desmatamento está aumentando; 8% que ele está diminuindo;16% que ele continua igual; e 3% não souberam responder.

E os entrevistados atribuíram a maior responsabilidade no combate ao desmatamento da Amazônia para o Ibama/Funai (77% como “muita responsabilidade”), justamente os órgãos que têm sido drasticamente enfraquecidos pela gestão atual na sua atuação de fiscalização. Em seguida, no nível de responsabilidade com desmatamento, vêm o Ministério do Meio Ambiente (75%), em terceiro o presidente da República (72%), em quarto o Exército (66%), seguido dos governadores estaduais (65%) e do vice-presidente da República (62%).

Pergunta: Qual a responsabilidade de cada agente governamental no combate ao desmatamento?


Ao mesmo tempo, o presidente Bolsonaro é o que tem a pior avaliação no trabalho de combate ao desmatamento em relação ao governo. 46% dos entrevistados consideram sua atuação ruim e péssima, seguido dos governos estaduais e do Ministro do Meio Ambiente. Entre os agentes do Estado, o melhor avaliado foi o Exército brasileiro, com 40% de avaliação entre ótimo e bom. Essa percepção em relação aos militares pode ser atribuída à Operação Verde Brasil 2. Midiática, ela tem sido usada para justificar a resposta do governo ao desmatamento, mas na prática tem sido pouco eficiente quando vemos a maior destruição da floresta na última década. “É uma operação cara, dois meses custam mais que o orçamento anual do Ibama para fiscalização – e não têm conseguido conter a escalada do desmatamento, que, como a sociedade reconhece, está aumentando. Não é papel do Exército liderar o combate ao desmatamento, mas sim apoiar os órgãos de fiscalização especializados, como o Ibama, ICMBio e Funai, que acumulam experiência e capacidade técnica para isso”, avalia Cristiane Mazzetti. 

Pergunta: Qual a avaliação de cada agente governamental no combate ao desmatamento?


Mas quando a avaliação é dos agentes da sociedade brasileira, os povos indígenas lideram como os melhores avaliados na sua responsabilidade de combater o desmatamento, com 49% entre ótimo e bom, seguido das ONGs ambientalistas, com 42%. O pior avaliado foi o Congresso Brasileiro, com 49% entre ruim e péssimo, seguido das empresas privadas.

Pergunta: Qual a responsabilidade de cada agente da sociedade civil no combate ao desmatamento?

Pergunta: Qual a avaliação de cada agente da sociedade civil no combate ao desmatamento?

Amazônia e a economia

Quando o assunto é o desenvolvimento do Brasil, os brasileiros deixam claro que não engolem mais a visão ultrapassada do governo Bolsonaro: 92,5% concordam mais que o Brasil pode ganhar dinheiro com a floresta amazônica e incentivando atividades econômicas na região que não causem desmatamento. Apenas 5,6% acham que parte da floresta precisa ser derrubada para o Brasil ganhar dinheiro com a Amazônia.

Pergunta: Com qual afirmação você concorda mais?

“Não é mais apenas discurso de ONGs ou cientistas, a população brasileira também acredita e quer um modelo de desenvolvimento sustentável que respeite a natureza. A visão do atual governo e do presidente Bolsonaro é ultrapassada, não condiz mais com a realidade climática e tecnológica que estamos vivenciando”, diz Cristiane Mazzetti.