Projeto Banana-Terra objetiva fortalecer jovens ativistas que trabalham com meio ambiente e direitos humanos, mas faz muito mais do que isso

Você já teve um trabalho que mudou a sua vida? Um trabalho que fez de você uma pessoa melhor? Que te fez pensar: “É isso! Eu estou no lugar certo, com as pessoas certas e é nesse tipo de ambiente que quero trabalhar”? Eu já. Foi (e continua sendo) o Projeto Banana-Terra.

A iniciativa dos escritórios brasileiros das ONG’s Anistia Internacional e Greenpeace  tem o objetivo de fortalecer jovens ativistas que trabalham com meio ambiente e direitos humanos, ajudando-os a se planejarem para levarem o que aprenderam para as regiões onde moram. Além disso, ao apresentar esses jovens uns aos outros e estimulá-los a trabalharem em conjunto, o projeto cria uma comunidade, onde eles podem se apoiar e construir juntos. Mas a verdade é que o Banana-Terra é muito mais do que essa descrição formal.

Um dos objetivos, quando ele nasceu, era fazer o Greenpeace e a Anistia Internacional trabalharem juntos. Direitos humanos e meio ambiente são duas coisas interligadas e não fazia sentido duas das maiores ONG’s atuantes nesses temas nunca terem trocado experiências. Porém, nem nos melhores sonhos isso poderia ter dado tão certo! As equipes envolvidas no projeto são as que cuidam de voluntários, ativistas e desenvolvimento de comunidades dentro das respectivas organizações e, por isso, têm pessoas treinadas para lidar com diferenças, abertas a ouvir, ávidas tanto por aprender quanto por ensinar.

Assim, o  Banana-Terra foi uma construção conjunta, com todos e todas podendo dar o seu ponto de vista e com muita disposição para essa construção coletiva. A experiência foi valiosa para os dois times e já perdi a conta de quantas vezes ouvi o time do Greenpeace falar que aprendeu algo com o da Anistia Internacional e vice-versa.

Essa postura, é claro, se reflete no formato do projeto. Nas oficinas do Banana-Terra, profissionais do Greenpeace e da Anistia Internacional não são professores. Eles não acreditam que apenas eles sabem fazer ativismo e devem ensinar aos participantes selecionados como se faz. Pelo contrário! Acreditam que existem várias formas de fazê-lo, que cada participante já tem a sua e que o aprendizado vai se dar exatamente por meio dessas trocas. Em vez de desprezar todo o conhecimento que os jovens participantes trazem, eles valorizam-no.

© Felipe Augusto / Greenpeace © Felipe Augusto / Greenpeace

Quanto aos participantes, desde o momento da inscrição eles já querem tanto estar ali que, quando são selecionados e chegam nas oficinas, dão tudo de si. Juntos, eles passam três dias trocando experiências, ensinando, aprendendo e se conectando com outros que, apesar de viverem em realidades diferentes, têm a mesma vontade de mudá-las. Ao fim desses três dias, ficam arrasados por terem que se separar! O ativismo muitas vezes é uma atividade solitária, mas eles sentem como é bom ter companhia nessa jornada e não querem mais abrir mão disso.

Por isso, apesar das oficinas terem acabado, até julho, todos os 82 participantes das três edições (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) terão lido muitos materiais de apoio, mapeado quais os principais problemas ambientais e de direitos humanos nas comunidades onde vivem, construído e concluído um projeto para lidar com estes problemas e precisarão se unir para fazer tudo isso. Sozinhos eles não ficam mais!

© Felipe Augusto / Greenpeace © Felipe Augusto / Greenpeace

Generosidade é a principal característica do Banana-Terra. É como se todos ali – organizadores e participantes – pegassem o que têm de melhor e oferecessem ao outro, e, ao mesmo tempo, se colocassem à disposição para receber tudo de melhor que o outro tem a oferecer.

E foi por tudo isso que o projeto mudou a minha vida. O Banana-Terra me fez ver que é possível sim um trabalho fazer de você uma pessoa melhor: mais generosa, mais aberta aos aprendizados e mais flexível. A energia que os participantes trazem para a gente é deliciosa e faz com que todos nos sintamos muito gratos de estar ali, vivendo tudo aquilo.

Jovens participantes da edição Centro-Oeste do Projeto Banana-Terra. © Felipe Augusto / Greenpeace

Nesse contexto, também não tenho dúvida de que os projetos que serão desenvolvidos por esses jovens mudarão as vidas de muitas outras pessoas, ao menos um pouco do que mudou a minha.

Quer ver os resultados do Projeto Banana-Terra? Fique ligado no site: www.bananaterra.org.br

Ficou inspirado e também quer fazer algo pelas causas em que acredita? Torne-se voluntário do Greenpeace ou faça uma doação.

Jéssika Oliveira é jornalista do Projeto Banana-Terra