Hoje é dia de Greve pelo Clima e jovens do mundo todo estão juntos chamando atenção para a crise climática. Aqui no Greenpeace, as ilustrações para celebrar a data foram feitas por nossos voluntários.

Cartaz de Tali Medeiros, ganhadora da categoria Clima.

A pandemia da Covid-19 virou o mundo de cabeça para baixo. Reformulou tudo o que estávamos habituados a fazer. Agora, aulas chegam até os alunos pelo computador, plateias presenciam shows pela televisão e psicólogos aconselham através de uma ligação. Com o voluntariado não foi diferente. Para as centenas de espíritos engajados pelo Brasil, a mobilização pelo clima não tem fronteiras. Por isso, os voluntários e voluntárias encontraram, no universo virtual, uma nova possibilidade de se reinventar e criar um estilo inédito de ativismo ambiental. 

Dentre as tantas mobilizações realizadas durante os meses de confinamento, o Desafio de pôsteres da Greve pelo Clima se destacou. Lançado em julho para todos os voluntários e voluntárias inscritos no Conexão Verde, o concurso propôs a elaboração de dois produtos artísticos, com as temáticas “Movimento pelo Clima” e “Greenpeace: Ativismo que inspira”. Mais do que eleger os melhores, o espírito do Desafio era unir duas paixões dos participantes: a arte e o meio ambiente. Após o prazo de elaboração dos pôsteres, foi realizada uma seleção interna na Organização para decidir quais obras seriam as finalistas. Representando as mais diversas regiões do Brasil, as categorias do desafio contemplaram, na final, 4 desenhos cada. 

Depois de muita ansiedade entre os participantes e uma votação aberta acirrada na plataforma, a maioria dos 135 voluntários e voluntárias que expuseram sua opinião nos comentários escolheu as artes que estampariam mais uma Greve pelo Clima que acontece neste 25 de setembro.  

Hoje jovens do mundo todo estão unidos virtualmente e fisicamente (onde é possível) para chamar atenção da crise climática, que já está impactando a vida de todos nós. 

Enquanto o mundo discute medidas efetivas de contenção das mudanças climáticas e enquanto pais e mães se preocupam com qual futuro irão deixar à suas filhas e filhos, o Brasil assiste incrédulo à queima de seus biomas. Essa tragédia somada ao desmonte do atual governo representam uma ameaça ao futuro que hoje queremos destacar e pedir. Estamos ao lado desses jovens que defendem o nosso futuro e um modelo econômico que respeita o meio ambiente e ao mesmo tempo que traz justiça e equidade social. 

Então, hoje é um dia especial para que os desenhos dos nossos voluntários ganhem vida e endereço, e agora chegou a hora de conhecer as histórias por trás dos vencedores. 

A força feminina a frente na causa ambiental

Tali Medeiros é voluntária de São Paulo , sentiu que a mobilização era uma porta para grandes mudanças. Foto: Arquivo Pessoal

Talita Medeiros, designer gráfica de 27 anos, foi a vencedora da categoria clima. “Fiquei muito feliz com o resultado! Vi outras artes muito bonitas também, e fico feliz que além de mim, outras pessoas utilizam da arte ou o seu dom para transmitir a nossa mensagem”. Para Talita, pensarmos em uma mobilização potente é fundamental para alcançarmos o maior objetivo e este ano promete plantar sementes engajadas para o futuro: “O legado da Greve Global pelo Clima é justamente unir forças e dar voz a juventude para alertar o máximo de pessoas e lideranças possíveis a fazer algo, para combater o impacto que hoje tornam vítimas milhares de seres”.

A trajetória que abraça arte e ativismo e levou a jovem voluntária ao pódio de pôster preferido é longa. Desde pequena, Talita sempre gostou de mexer em programas de edição. Com o passar dos anos, apaixonou-se pela arte, e hoje envolve-se com ela e com a comunicação profissionalmente. A ativista conta que o que a deixou mais feliz, principalmente nesse desafio pelo clima, foi passar a mensagem das causas que ela acredita em forma de arte. 

Representante do grupo de voluntários de São Paulo, Talita sempre sentiu que a mobilização era uma porta para grandes mudanças. Além do Greenpeace, a vencedora do concurso também atua em organizações como Engajamundo, que pauta a liderança jovem e na ONU, em discussões relacionadas a Gênero e Objetivo de Desenvolvimento Sustentável.

Tali, como é conhecida pelos companheiros e companheiras de voluntariado, entrou para o Greenpeace a convite de um amigo próximo, e segundo ela, a autonomia atribuída aos voluntários e voluntárias para se organizarem e criarem suas próprias mobilizações e projetos foi o que mais a encantou “Achei tudo isso muito enriquecedor, e aprendi bastante com as pessoas que conheci dentro da organização”, conta a volunta. 

Para ela, doar o seu tempo e disposição na esperança de um futuro verde é o que dá sentido à jornada dentro do Greenpeace. “Fazer parte do voluntariado mudou minha vida, hoje não consigo me imaginar sem fazer algo que acredito. O que me deixa mais feliz é saber que não estou sozinha, e que existe muita gente fazendo parte desse movimento lindo, em prol de causas tão importantes para um mundo mais justo e sustentável.”

A união faz a força!

Fábio Dantas de Melo, voluntário do Greenpeace, adora fazer caminhadas e trilhas ao ar livre. Foto: Arquivo Pessoal

Dividindo holofotes com a Talita, o vencedor da categoria “Greenpeace: ativismo que inspira”, é, na verdade, uma dupla de amigos. Fábio e Rober, ambos residentes de Brasília, se conhecem há um ano, mas logo criaram um laço de amizade verdadeiro, resultando na cocriação do desenho preferido da categoria. 

Fábio Dantas de Melo, educador de 44 anos, adora fazer caminhadas e trilhas ao ar livre, e conta que já está até levando seu filho para o mesmo caminho. “Tenho uma propensão natural a me envolver com atividades outdoor [ao ar livre], curto essa coisa de estar em grupo e na natureza”. Para ele, o meio ambiente e a luta por sua defesa trazem uma sensação de completude e pertencimento ao universo. E assim como a Talita, sua relação com a arte se deu há muitos anos atrás, quando ainda frequentava o ensino fundamental. Na escola em que estudava, Fábio estava sempre em contato com o meio artístico, seja através da música, cerâmica, sucata, linguagem corporal, etc. 

Desde pequeno, gostava de desenhar figuras que via na televisão e caricaturas das pessoas de sua família. No ensino médio venceu o concurso do grêmio estudantil, que propunha a elaboração artística de uma logomarca para a escola. Sempre em contato com esse dom, o ativista viu, no desafio da greve, uma oportunidade perfeita para inserir seu espírito artístico dentro de uma causa tão importante em sua vida. 

“Quando eu me dispus a criar, eu estava imbuído dessa motivação de buscar algo que representasse a história do Greenpeace”, conta. Após descobrir sobre o desafio e ler o regulamento, Fábio relata que decidiu ir dormir, e pensar em ideias para o desenho somente no dia seguinte. Mas logo ao se deitar, a imagem pronta do pôster veio à sua mente, e o instinto artístico do voluntário acendeu uma chama que o fez levantar e passar a madrugada toda colorindo cada detalhe do desenho.

Cartaz de Rober e Fábio, vencedor da categoria “Greenpeace: ativismo que inspira”.

 “O legal de uma obra de arte é ela despertar muitos sentidos e levar à reflexão, para que seja, para sempre, uma obra viva e instigadora”. Ou seja, estampando a Greve pelo Clima, ele será capaz de mobilizar pessoas de todo mundo, de realidades completamente distintas, que serão impactadas pela situação ambiental na qual estamos todes inseridos. 

Assim como a arte, o ativismo relacionado ao meio ambiente é antigo na vida do professor. Na década de 1980, já participava do movimento escoteiro, onde desenvolveu profunda relação de respeito e afeto com os animais e plantas. Tempos depois, entrou para um grupo de defesa ambiental, idealizado por seu primo, no qual participava de diversas mobilizações e ações de limpeza, sempre tentando engajar pessoas pela causa ambiental 

No Greenpeace, sua relação estabeleceu-se, em um primeiro momento, a partir de uma enorme simpatia com os projetos da Organização. “O Greenpeace é um movimento que encanta, pela história, como tudo começou, por essa maneira desafiadora de fazer ativismo – que é ser firme, forte, mas não fere”, comenta. Através dessa admiração, o ativista virou doador e, com o passar do tempo, sentiu uma necessidade de ir além: “lá no fundo o que eu queria era por a mão na massa”. E foi isso que ele fez e faz até hoje. Seja em lives, mobilizações na rua ou concursos artísticos, o voluntário está sempre disposto a somar. 

Para além da vitória, o processo em si do desafio de pôsteres foi muito especial. “O legado que a Greve pelo Clima está construindo é tirar um pouco as pessoas do transe, dessa hipnose de não enxergar para além dos fatos mais visíveis, ou seja, o histórico que tem promovido esse tipo de estados de destruição nos ciclos naturais. Temos que mostrar para as pessoas que o fator humano é muito forte; portanto, é necessário uma reformulação nesse modo inconsequente como interferimos na natureza”.

Rober Teixeira é amigo de Fábio e é admirador e defensor fiel de tudo o que a natureza abraça. Foto: Arquivo pessoal

E ao lado de todo esse belo processo de criação estava Rober Teixeira, produtor de vídeo autônomo de 47 anos, amigo de Fábio. Apesar de não ser voluntário do Greenpeace, Rober é admirador e defensor fiel de tudo o que a natureza abraça. Ter um olhar atento aos detalhes e estar sempre em contato com o meio ambiente, seja através de caminhadas ou até mesmo projetos profissionais, foi um dos fatores que influenciaram positivamente nas ideias de Rober no desenho elaborado em conjunto com Fábio. Quando descobriu que havia sido escolhido, sentiu-se honrado: “Foi muito emocionante, pois tinham várias peças bonitas e a votação estava muito apertada. É maravilhoso quando reconhecem algo que fazemos de bom”, contou. 

Independente das diferentes histórias costuradas por trás dos pôsteres, todos os voluntários e voluntárias que se propuseram a participar do desafio tinham um único objetivo: mobilizar, em nível global, toda e cada pessoa que esbarrasse os olhos nos projetos artísticos. Que, para além da beleza e cuidado estampados em cada desenho, as imagens chamassem a atenção da população para o que ela realmente representa: a crise climática. Sabemos que, para um futuro melhor e mais verde, precisamos mudar o hoje. 

Que a dedicação de cada integrante do nosso grupo de voluntariado sirva de esperança e acenda uma chama em cada indivíduo do mundo. De um em um, formamos um grupo imenso, forte e engajado.