Países devem se comprometer a eliminar os combustíveis fósseis até 2050, acelerar a transição energética e colocar em prática o Fundo de Perdas e Danos. O tempo para agir está se esgotando!

Uma delegação do Greenpeace embarcou para a Conferência do Clima da ONU nos Emirados Árabes Unidos, a COP28, para pressionar os países a ajustarem seus compromissos em relação ao Acordo de Paris para que a meta de limitar o aquecimento global a 1.5ºC se mantenha viável.

A cada ano que não agimos, fica mais caro e mais difícil reduzir as emissões. E não conseguiremos emitir menos e evitar a catástrofe climática que se aproxima sem atacar o problema na fonte: os combustíveis fósseis.

Por isso, a principal demanda do Greenpeace Brasil na COP28 é que os países construam um acordo global para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis até 2050. Superar nossa dependência de petróleo não será fácil,

E para isso, precisaremos de um esforço conjunto de governos, setor privado e mudança profunda nos nossos padrões de produção e consumo.

A queima de combustíveis fósseis, ainda em franca expansão no mundo – inclusive no Brasil, o nono maior produtor de petróleo -, é a principal causadora do aquecimento global e, consequentemente, da crise climática que vivemos. Para se ter uma ideia do quão poluidores são os combustíveis fósseis, cerca de 87% das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) no mundo são provenientes deles.

Apesar disso, os países do Acordo de Paris, criado lá em 2015, ainda não se comprometeram em construir um plano para acabar com a dependência global dos combustíveis fósseis. Basta, precisamos de um acordo global com metas claras e definidas para cada país já!

Tal acordo pelo fim de todos os combustíveis fósseis até 2050 deve contemplar:

  • reduzir a produção dos combustíveis fósseis no mundo em 43% até 2030 e em 60% até 2035 (comparado aos níveis de 2019);
  • o processo deve ser liderado e financiado a nível global pelos países desenvolvidos, os maiores poluidores e os mais responsáveis pela crise climática;
Não expansão imediata

Após quatro anos de retrocessos na política ambiental e climática, o Brasil tem a chance de assumir o protagonismo nessa COP28: além de ter uma matriz energética de baixa emissão de carbono, o país celebra a redução de 22,37% do desmatamento na Amazônia (período de agosto de 2022 a julho de 2023).

Porém, esses fatores não bastam para colocar o país no caminho certo. Precisamos de ações conjuntas que contemplem, mais uma vez, o fim dos combustíveis fósseis. E, como sabemos, o Brasil é o novo maior produtor de petróleo e segue considerando novas áreas de exploração, inclusive em áreas socioambientais importantíssimas para a vida no planeta, como a Foz do Rio Amazonas.

O presidente Lula estará na COP28 nos dias 01 e 02 de dezembro e o Greenpeace Brasil estará lá, pressionando para que a Amazônia seja declarada área livre da exploração de petróleo, já! Também pedimos:

  • Brasil deve assumir o compromisso de redirecionar subsídios do petróleo à implementação e viabilização de sistemas energéticos sustentáveis, que democratizam o acesso à energia e priorizam o bem-estar social, econômico e ambiental de toda a
    população;
  • Brasil deve assumir seu potencial de se tornar carbono negativo até 2045, com uma NDC com metas de redução real das emissões absolutas, alinhada a um Plano de Transformação Ecológica justo e ambicioso, garantindo controle social e a retomada de processos participativos.

A nível global, também pressionamos os países que excluam imediatamente a exploração dos combustíveis fósseis em demais áreas críticas a vida no planeta.

 A crise climática afeta de forma desproporcional populações periféricas, pessoas pretas e pardas, mulheres e crianças, que, além de não lucrarem com a exploração de combustíveis fósseis, agora enfrentam os efeitos mais devastadores do clima com as próprias vidas.

O direito internacional em matéria de direitos humanos é claro: as comunidades mais afetadas pela crise climática têm direito a reparação pelos danos sofridos! Por isso, é urgente que entre em funcionamento o Fundo de Perdas e Danos, criado na COP27, mas que ainda precisa ser detalhado o seu funcionamento.

Nesse processo, os países precisam adotar princípios decoloniais e antirracistas na
operacionalização do Fundo de Perdas e Danos, para que representantes dos países em desenvolvimento e instituições que representam essas populações
possam estar no centro das discussões e decisões
sobre esses fundos

Precisamos de ação em rede!

Ninguém conseguirá conter a crise climática sozinho. Juntos, podemos conseguir. Quanto mais pessoas e organizações agirem agora a favor das mudanças que precisamos, maior será a pressão sobre os governos para agir.

Junte-se ao Greenpeace Brasil no pedido global por um mundo livre de petróleo e demais combustíveis fósseis até 2050!

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