Conselho Administrativo de Defesa Econômica reviu a medida preventiva que suspendia a Moratória da soja e manteve o acordo vigente, mas ainda há riscos de nova suspensão a partir de janeiro de 2026.

The region between the states of Maranhão, Tocantins, Piauí and Bahia, known as MATOPIBA in Brazil., is considered the showcase of Brazilian agribusiness, with a high productions of soy and corn for export. However, this predatory model has rushed deforestation in the biome’s region, Cerrado, which is one of the most threatened biomes in Brazil and extremely important for the supply of aquifers throughout Latin America. The agribusiness expansion puts traditional communities and natural resources at risk.
A Greenpeace study shows that this sick model of production does not create a balanced wealth, but the opposite.

São Paulo, 30 de setembro de 2025 – Em sessão para julgar um recurso da Abiove para reverter uma medida preventiva que suspendia a Moratória da Soja, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, CADE, decidiu nesta terça-feira (30) por manter o acordo multissetorial vigente enquanto o processo tramita, mas com um adendo: a manutenção da Moratória está garantida somente até 31 de dezembro.

O Greenpeace Brasil vê como positiva a decisão dos conselheiros do CADE desta terça, mas analisa que o contexto ainda é de vigilância e atenção.

“O voto dos conselheiros do CADE em manter vigente a Moratória da Soja reconhece o risco de interromper este acordo multissetorial, que apresenta há décadas resultados tão positivos para conter o desmatamento da Amazônia. No entanto, seguimos vigilantes para que a iniciativa siga viva e atuante em 2026. A Moratória da Soja foi a primeira iniciativa de desmatamento zero no mundo, meta que hoje faz parte de compromissos corporativos e até do Acordo de Paris, e esperamos que seu papel e contribuição para a agenda climática seja reconhecido e referendado pelas autoridades brasileiras, sejam elas do CADE ou Supremo Tribunal Federal, para acabar de vez com os ataques à iniciativas que combatem a destruição ambiental”, afirma a coordenadora de Florestas do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti.

Nos últimos anos, o Greenpeace Brasil vem alertando sobre os ataques à Moratória por parte de setores do agronegócio e de políticos alinhados aos seus interesses, que têm atuado para enfraquecer regulações e leis ambientais – a exemplo do que tem ocorrido com o PL da Devastação.

“Com este novo capítulo sobre a Moratória da Soja, esperamos que as discussões
sigam de maneira a incentivar que iniciativas, privadas, públicas ou multissetoriais, possam ir além do que já está determinado por lei para proteger o clima e os ecossistemas. Sem iniciativas adicionais, não chegaremos ao desmatamento zero e nem cumpriremos a meta estampada na NDC brasileira”, completa Mazzetti.

O vai-e-vem da Moratória

Em agosto, uma medida preventiva da Superintendência-Geral do CADE suspendeu a Moratória da Soja. Essa medida foi levada à Justiça Federal, em Brasília, e suspensa por decisão liminar logo na sequência. A decisão judicial se deu em ação ajuizada pela Abiove contra a medida preventiva da Superintendência-Geral do CADE, a qual determinou que a preventiva ficaria suspensa até o julgamento do recurso administrativo apresentado pela Abiove ao CADE, o que ocorreu nesta terça-feira.

O julgamento do CADE contou com representações do IBAMA e Ministério do Meio Ambiente/AGU, que fizeram sustentação oral em defesa da Moratória da Soja, defendendo sua relevância para a política pública ambiental brasileira e para o combate ao desmatamento, e também com alguns conselheiros do CADE reconhecendo, em seus votos, os riscos de dano ambiental irreversível que a suspensão do acordo pode ocasionar.

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