7.900 km² de vegetação foram destruídos ao total, cerca de 1,18 bilhão de árvores

Ao final da temporada de fogo na Amazônia, o Greenpeace esteve em campo para registrar o estrago deixado pelas queimadas, na região entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia © Daniel Beltrá / Greenpeace

O desmatamento na Amazônia Brasileira registrou um aumento de 13,7% entre agosto de 2017 e julho de 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento da cobertura nativa da maior floresta tropical do planeta. Mesmo com o aumento no número de autuações e apreensões no mesmo período, o Brasil perdeu, nesse último ano, uma área total de 7.900 km², equivalente a 987.500 campos de futebol, 5,2 vezes a cidade de São Paulo. Representa ainda cerca de 1.185.000.000 (um bilhão, cento e oitenta e cinco milhões) de árvores, aproximadamente, considerando 1500 árvores por hectare. Por quê?

Grande parte das respostas estão em Brasília. É do centro do poder que emana o estímulo constante ao crime ambiental nos rincões da Amazônia. A bancada ruralista, com apoio de uma parcela do governo, vêm apresentando uma série de propostas que terão impacto direto na proteção das florestas, seus povos e do clima do planeta: Lei da Grilagem, flexibilização do licenciamento ambiental no Brasil, ataque aos direitos indígenas e quilombolas, adiamentos do Cadastro Ambiental Rural (CAR), tentativas de redução de áreas protegidas e paralisação das demarcações de Terras Indígenas, entre outras.

“Esse conjunto de propostas beneficia quem vive de desmatar a floresta, grilar terras e roubar o patrimônio natural dos brasileiros. As consequências estão traduzidas agora nos números da destruição da Amazônia”, afirma Romulo Batista, da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Além disso, coloca em risco, inclusive, a contribuição do país para o Acordo de Paris”, complementa.

O fim do desmatamento na Amazônia continua sendo uma demanda crescente do mercado, que não quer mais consumir produtos manchados pela destruição florestal ou por violações de direitos. Portanto, a destruição da floresta também afeta o bolso dos brasileiros.

E pode ficar pior…

O país obteve expressiva melhora no combate ao desmatamento entre 2004 e 2012 através de um conjunto de ações por parte do governo, do setor privado e da sociedade, como a criação de áreas protegidas e Terras Indígenas, ações de fiscalização no campo e acordos de mercado para tirar o desmatamento das cadeias produtivas de soja e gado proveniente da Amazônia. Esse esforço integrado resultou na queda de cerca de 80% do desmatamento no período.

Mas, a depender do governo Jair Bolsonaro, as previsões para a Amazônia (e para o clima) não são boas. O presidente eleito prometeu atacar exatamente o que fez o desmatamento diminuir. Ele pretende liberar exploração de Terras Indígenas e Unidades de Conservação e enfraquecer o poder de fiscalização do Ibama. Tudo o que funcionou no combate à destruição florestal está sob ameaça. Se concretizadas, essas propostas levarão a uma explosão da violência no campo e colocarão em risco a esperança climática do planeta.

“Não são apenas as árvores que tombam, pois o desmatamento na Amazônia vem sempre acompanhado de violência e conflitos sociais”, avalia Romulo. Não à toa, o Brasil lidera o triste ranking de país mais perigoso para defensores ambientais, com 57 dos 207 assassinatos em 2017, de acordo com levantamento feito pela Global Witness.

A Amazônia é fundamental para manter o equilíbrio do clima global – e a maior parte das emissões brasileiras de gases do efeito estufa provém da devastação das matas. A floresta é, ainda, responsável por regular o regime de chuvas que caem em outras regiões do país, como o Centro-Oeste, base do agronegócio nacional. Estudos indicam que é possível duplicar a produção agropecuária brasileira sem desmatar mais nenhum palmo de terra. Além de manter mercados, o desmatamento zero é um estímulo ao desenvolvimento de outras alternativas econômicas em harmonia com a floresta e seus povos.

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