Festival Percurso, na periferia de São Paulo, prova que é possível oferecer comida saudável para todas as classes sociais

Comida orgânica e saborosa!

Orgânicos já! © Christian Braga / Greenpeace

Um festival que coloca em evidência uma periferia inovadora, criativa e sustentável, características que geralmente ficam escondidas em meio a notícias de violência e desigualdade. Esse é o Festival Percurso, que acontece todos os anos no bairro de Campo Limpo, em São Paulo, fruto da iniciativa da Agência Solano Trindade, um coletivo de economia solidária.

Em mais uma rodada da parceria com a Agência Solano Trindade, participamos da quinta edição do festival no último fim de semana, para contribuir com a discussão de como tornar a alimentação saudável e sem veneno acessível para todas as classes sociais. Em especial, fomos ouvir os empreendedores sociais da quebrada, para que suas experiências de sucesso possam ser compartilhadas e replicadas em outras comunidades.

“O Festival Percurso quer democratizar a cultura, a boa alimentação e, principalmente, a informação. Temos a possibilidade de escrever uma história nova para a periferia”, conta Thiago Vinícius, idealizador da Agência Solano Trindade e do Festival Percurso. Para ele, o empreendedorismo no Campo Limpo é uma ferramenta eficaz para que os jovens construam um caminho longe da violência, e parcerias como a do Greenpeace ajudam a quebrar o preconceito que existe contra a periferia. Campo Limpo já foi classificada como uma das regiões mais violentas e com piores índices sociais da capital paulista.

A chef local Tia Nice e Thiago Vinicius, da Agência Solano Trindade

A chef local Tia Nice e Thiago Vinicius, da Agência Solano Trindade © Christian Braga/ Greenpeace

Dezenas de barracas vendendo alimentos orgânicos, roupas e livros ocuparam a praça do Campo Limpo, que recebeu também diversas atrações musicais, mesas redondas e mestres e mestras da cultura popular de diferentes regiões do Brasil. Uma tenda de voluntários do Greenpeace ofereceu atividades ligadas à alimentação e ativismo para crianças e adultos, como jogos e oficinas de tinta natural, bolas de semente e como fazer sua própria camiseta com a mensagem “Chega de Agrotóxicos”.

Para Adriana Charoux, da campanha de Amazônia do Greenpeace, o Festival Percurso é a materialização de algo que a organização tem defendido: oferecer comida de verdade para todas as pessoas. “Queremos quebrar preconceitos, como a ideia de que parar de comer carne é coisa de rico, de que comprar orgânicos é difícil. O Percurso é o lugar que mostra que é possível ter uma alimentação saudável, sustentável, amorosa e colorida sem que isso pese no nosso bolso”. 

Oficina de tinta natural na tenda do Greenpeace

Oficina de tinta natural em nossa tenda © Christian Braga/ Greenpeace

“A Agência Solano Trindade foi a grande responsável por essa transformação no Campo Limpo”, afirma Adriana, enquanto saboreia um sanduíche de shitake na barraca montada pela própria produtora dos cogumelos. Primeiro ponto de comercialização de orgânicos da região, a agência faz chegar alimentos sem veneno a um preço justo na casa dos vizinhos, graças a uma relação próxima com produtores do entorno da cidade de São Paulo.

Momento para celebrar a PNaRA

Na tenda do Greenpeace, o clima era também de celebração pela aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA) na Comissão Especial na Câmara dos Deputados, ocorrida na última terça-feira. As mensagens deixadas no Varal dos Sonhos por quem passava pelo nosso espaço sinalizavam o desejo por um futuro sem veneno e mais agroecológico. Alguns dos recados foram: “Comida de verdade no campo e na cidade”; “Agroecologia é Tech”; “Futuro agroecológico”; “Menos Desertos Verdes”; “PNaRA aprovada!”; e “Democratização da alimentação”.

Varal dos Sonhos com mensagens sobre alimentação

Varal dos Sonhos com mensagens sobre alimentação © Christian Braga/ Greenpeace

A chef de cozinha Bel Coelho, que participou da tenda “Alimentando Pontes”, onde chefs tradicionais e locais realizaram oficinas de culinária, também estava feliz. “É uma semana muito especial porque estamos aqui no Festival Percurso ajudando a democratizar a alimentação saudável e também para comemorar porque ganhamos, na Comissão Especial, a PNaRA”. Bel ensinou a plateia a fazer uma moqueca vegana com aproveitamento de legumes esquecidos na geladeira. Já a chef local Tia Nice preparou charutinhos de ora-pró-nobis, uma planta alimentícia não convencional (PANC). Ficaram deliciosos!

Confira nosso vídeo sobre o Festival Percurso:

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