Que a coincidência das datas seja algo simbólico para lembrar a todos que não haverá justiça social sem um meio ambiente saudável e uma democracia forte. 

John Cormack, o primeiro capitão do Greenpeace. Ele comandou o barco Phyllis Cormack na primeira expedição da organização, rumo à ilha Amchitka, do Alaska, para protestar contra testes nucleares.
© Greenpeace / Robert Keziere

Neste 15 de setembro, data em que o mundo comemora o Dia Internacional da Democracia, também celebramos o aniversário de 52 anos de fundação do Greenpeace

O Greenpeace nasceu em 1971, depois que um grupo de ativistas, indignado com os testes nucleares feitos pelos EUA na época, navegou até uma ilha no Canadá para impedir a explosão de uma bomba atômica (veja a história abaixo). Já a Declaração Universal da Democracia viria quase 30 anos depois, em 1997. 

Porém, a coincidência das datas – 15 de setembro – é algo simbólico e serve para nos lembrar que não tem como existir justiça social sem um meio ambiente saudável e uma democracia forte. 

No Brasil, nos orgulhamos especialmente de termos iniciado nossas atividades em 1992, na esteira da redemocratização do país, inspirados pela Constituição Federal de 1988, a “Constituição Cidadã”, que determinou em seu artigo 225:

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. 

Por isso, além de comemorarmos o aniversário do Greenpeace, agradecemos a cada pessoa que fez e faz parte desses 52 anos de ativismo consciente e pacífico – no mundo e no Brasil.

“Sem democracia, não há espaço para a atuação da sociedade civil. E sem sociedade civil, não há pressão popular para que cada país faça mais e melhor, por nós e pelo Planeta!”, diz Carolina Pasquali, Diretora Executiva do Greenpeace Brasil.

O Greenpeace no século 21

Em 2023, celebramos os 52 anos do Greenpeace na mesma semana em que o mundo assistiu a várias tragédias humanas causadas por desastres ambientais, infelizmente: no Brasil, enchentes assolam o Rio Grande do Sul e cerca de 50 mortes foram confirmadas pelo governo até o momento. Lá fora, uma tempestade iniciada na Grécia no começo do mês chegou à Líbia no domingo, causando a morte de mais de 5,3 mil pessoas.

“Infelizmente, os efeitos da crise climática estão nos atingindo com cada vez mais frequência e força, e nos mostrando o quanto estamos ainda mais vulneráveis do que imaginávamos”, acrescenta Carolina.

“Precisamos de muito mais gente mobilizada e de um compromisso público e privado muito maior e mais ambicioso, se quisermos de fato mudar o rumo das coisas”, completa a diretora executiva. 

Ao longo desses 52 anos, o Greenpeace coleciona vitórias importantes e conquistas que nos motivam a seguir com cada vez mais ambição rumo a essa transição tão necessária para superarmos as crises do clima e a da biodiversidade. Veja algumas de nossas conquistas aqui.

Em 2018, nosso navio Esperanza fez uma segunda expedição científica na costa norte do Brasil para estudar os Corais da Amazônia e, junto com um time de cientistas, revelamos as primeiras imagens do Grande Sistema de Recifes da Amazônia ao mundo.

História do Greenpeace: pela vida e pela paz

“Uma viagem pela vida e pela paz”, assim descreveu Irving Stowe, co-fundador do Greenpeace, a viagem que daria origem a essa que hoje é a maior organização ambiental do mundo.

O ano era o de 1971 e a viagem em questão era, na verdade, uma aventura realizada em 15 de setembro daquele ano: uma navegação entre Vancouver, Canadá, e a Ilha Amchitka, no Alaska, para interromper um mega teste nuclear que seria realizado pelo governo dos EUA na região.  

O advogado Irving Stowe, o engenheiro Jim Bohlen e Paul Côté, um estudante de direito, são alguns dos 12 fundadores do Greenpeace. Stowe e Bohlen já eram conhecidos ativistas ambientais no Canadá antes de realizarem a expedição à ilha no Alaska. Já Bohlen, um veterano da 2 Guerra Mundial, que passou de engenheiro do exército americano para ativista e pacifista. A foto é de 15 de setembro de 1971. © Greenpeace / Robert Stowe

A bordo de um barco pesqueiro, um grupo formado por Irving e outros 11 ativistas batizaram a expedição de “Greenpeace” depois que Bill Darnel, um dos tripulantes, disse a alguém que lhe fez o símbolo da paz: “Vamos fazer disso uma paz verde!”

Interceptado pela guarda costeira no meio do caminho, o grupo não chegou à Ilha Amchitka e os testes nucleares ocorreram no local. A força dessa aventura pelo verde e pela vida, contudo, ganhou repercussão internacional e novos apoiadores contra as bombas atômicas. Um ano após essa expedição, os EUA interromperam os testes nucleares, enquanto que a Ilha Amchitka é, até hoje, uma importante reserva natural.

Irving Stowe morreu de câncer três anos após essa viagem e não viu a magnitude que as suas palavras e ações naquele 15 de setembro tomaram nessas cinco décadas

Atualmente, o Greenpeace está presente em mais de 50 países.

Que possamos continuar juntos defendendo a democracia e o meio ambiente por mais meio século – e além-, na construção de um futuro mais verde e justo, saudável e pacífico para todos nós e todas as outras formas de vida que habitam este planeta. 

Relembre os nossos 50 anos:

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