Conheça as mulheres ativistas que, há 50 anos, foram essenciais para a construção da maior organização ambiental do mundo

Há 50 anos, nenhuma das pessoas que protestaram contra testes nucleares perto da Ilha de Amchitka, no Alasca, poderia imaginar que aquele ato de coragem desencadearia um movimento global de luta pela proteção do planeta.

Muitas ativistas estiveram envolvidas na organização daquela primeira viagem e do que então se tornaria o que hoje é o Greenpeace. Falar sobre a nossa história é também falar sobre a trajetória dessas grandes mulheres, essenciais para a jornada da organização desde seu início.

Cinco décadas depois, elas continuam a nos inspirar para a construção de um mundo mais verde, em que o respeito ao meio ambiente seja prioridade.

Comemoramos nossos 50 anos as homenageando e agradecendo pelo exemplo histórico de ativismo que as fundadoras do Greenpeace nos deixaram.

Dorothy Stowe

Fundadora do Greenpeace segura placa comemorativa da primeira ação da organização em False Creek, Vancouver (Canadá), em setembro de 1971/ @Greenpeace

Dorothy Stowe teria completado 100 anos em dezembro do ano passado. Ela faleceu em 2010, em Vancouver, no Canadá, onde cofundou o Greenpeace ao lado de seu marido Irving e outros ativistas ambientais.

Conhecida por ter um grande coração, Dorothy sabia como trabalhar duro para organizar as mudanças que precisamos. Durante os primeiros anos do Greenpeace, se destacou como referência de inclusão, inspirando mais pessoas a ajudar e fazendo com que todos e todas se sentissem valorizados e essenciais para o movimento.

Marie Bohlen

Dorothy Stowe e Marie Bohlen. © Greenpeace


Marie Bohlen era uma ilustradora da natureza e integrante do Sierra Club, uma das mais importantes associações ecologistas dos Estados Unidos. Imigrou com sua família para o Canadá em 1967, onde conheceu Dorothy e Irving e cofundou o chamado Comitê Don’t Make A Wave – que mais tarde se tornaria o Greenpeace.

Em fevereiro de 1970, enquanto discutia como impedir os testes de bomba nuclear dos Estados Unidos no Alasca, Marie propôs a ideia de levar um barco até o local de teste para impedir as ações americanas pacificamente. E essa foi a primeira campanha do Greenpeace.

Dorothy Metcalfe

Dorothy Metcalfe (à direita) com Dorothy Stowe e Rex Weyler, 2004. © Rex Weyler

Também fundadora do Greenpeace, Dorothy Metcalfe era repórter do Winnipeg Tribune, no Canadá, quando conheceu o jornalista Ben Metcalfe, que viria a ser o primeiro coordenador do Greenpeace.

Durante a ação do grupo no Alasca, ela transformou sua casa em uma sala de rádio, noticiando as informações enviadas por Ben – que estava no Phyllis Cormack, primeira embarcação da organização – para a mídia mundial.

Quando os Estados Unidos atrasaram o teste e a tripulação pensou em buscar porto seguro na cidade de Kodiak, Dorothy os encorajou a seguir em direção às Ilhas Aleutas. “A hora é agora”, aconselhou.

A jornalista também foi responsável pela articulação com membros canadenses do Parlamento, o que resultou em três moções pedindo aos Estados Unidos que cancelassem o teste.

Zoe Hunter

Zoe Hunter © Arquivo Pessoal


Zoe Hunter participava da Campanha pelo Desarmamento Nuclear do Reino Unido quando conheceu o ativista Bob Hunter, em Londres, em 1962. Foi ela quem o apresentou ao trabalho pacifista de Bertrand Russell e o levou à Marcha pela Paz de 1963, contra as instalações nucleares de Aldermaston, em Berkshire.

Além de ter influenciado na formação de Hunter, um dos ativistas que estavam à bordo do Phyllis Cormack, Zoe também trabalhou ao lado de Dorothy Stowe e Dorothy Metcalfe para ajudar no fornecimento dos primeiros dois navios do Greenpeace.

Ainda que a viagem ao Alasca tenha transportado somente 12 ativistas homens, a empreitada não teria sido possível sem a influência, as ideias e o apoio das mulheres. Anos depois, Hunter comentou publicamente que a ausência delas na ação foi um erro e que as ativistas deveriam ter representado metade da tripulação na ocasião.

Mesmo que as histórias dessas e tantas outras mulheres sejam costumeiramente apagadas, estaremos aqui para lembrá-las. Nos tornamos a maior organização ambiental do mundo também graças a elas e continuaremos inspirando o ativismo ambiental por meio desse legado e da força feminina!

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