Ação ocorre após fotos que viralizaram e denúncia que chocou o mundo

Megagarimpo surgido na cidade de Autazes chamou a atenção na semana passada

Recentemente o megagarimpo que se formou no rio Madeira, na cidade de Autazes, no Amazonas, recebeu uma resposta à altura: no último final de semana, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e a Polícia Federal conduziram uma operação que terminou com centenas de equipamentos de garimpagem destruídos (como balsas, dragas e empurradores), pessoas presas e ouro apreendido. 

Não foram dadas informações oficiais, mas diversos veículos de comunicação divulgaram que foram destruídas 131 balsas e três pessoas foram presas. A ação desarticulou uma rede que explorava o minério de maneira ilegal e causava uma série de prejuízos socioambientais àquela região. 

A operação teve início no sábado e contou com a participação de agentes dos estados do Amazonas, Pará, Paraná, Distrito Federal e Paraíba. A Polícia Federal e o Ibama utilizaram barcos e helicópteros para fazer as abordagens. Dezenas de garimpeiros fugiram se embrenhando na mata e não há relatos de feridos ou mortos.

Fuga no rio

O Greenpeace Brasil realizou na última sexta-feira (26) um sobrevoo em frente à comunidade do Rosarinho, onde os garimpeiros estavam originalmente instalados. E felizmente verificamos que eles já haviam saído do local, temendo represálias das forças de segurança. Ao invés das centenas de balsas vistas no início da semana, restavam apenas cerca de trinta delas. As outras já fugiam rio Madeira acima, alcançando locais como as cidades vizinhas de Nova Olinda do Norte e Borba. Nesta última, encontramos um conjunto um pouco maior, de 70 balsas. As outras embarcações se dividiam em minúsculos grupos pelo leito do rio.

A ação deflagrada pelas forças federais mostra que o Brasil tem capacidade para enfrentar práticas ilegais e garantir a proteção dos nossos rios, florestas e comunidades tradicionais.

“É uma questão de vontade política. Por isso, esperamos que o presidente Bolsonaro aceite a realidade e não poupe recursos para que ações como esta sejam reproduzidas nos muitos territórios conflagrados pela extração ilegal de ouro, a exemplo das terras indígenas Munduruku, Yanomami e Kayapó”, afirmou Danicley de Aguiar, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

A operação realizada no último final de semana foi comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo Ministro da Justiça Anderson Torres. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Prejuízos socioambientais

Vale lembrar que não existe exploração legal de ouro no rio Madeira: a Justiça Federal já considerou as licenças expedidas alguns anos atrás pelo órgão estadual – o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) – ilegais e inconstitucionais. A Justiça afirmou que não foram realizados estudos de impacto ambiental antes da concessão dessas autorizações.

Segundo um levantamento feito pelo MapBiomas para o jornal Metrópoles (DF), a área minerada ao longo da bacia do rio Madeira quadruplicou nos últimos 35 anos, chegando a 9,66 mil hectares no ano passado (o equivalente ao tamanho de Vitória, cidade capital do Espírito Santo). Em 1985, essa área era de apenas 2,2 mil hectares. Trata-se de um aumento de 339%.

A exploração irregular do ouro provoca uma série de problemas socioambientais nas regiões em que ocorre. Do ponto de vista socioambiental, os principais problemas envolvem o assoreamento e destruição dos rios; a remoção da vegetação natural; o descarte do mercúrio nos rios, que causa contaminação de peixes e das pessoas que se alimentam deles; e diminuição da biodiversidade local.

O garimpo ilegal é um grande problema no rio Madeira. Foto: Divulgação/Polícia Federal

O Rio Grande do Sul enfrenta uma tragédia climática sem precedentes, com mais de 1 milhão de pessoas diretamente impactadas pelas fortes chuvas. Nossa campanha está destinando recursos para a compra e entrega de suprimentos emergenciais e apoiando cozinhas solidárias. Precisamos da sua solidariedade nesse momento tão crítico. Clique abaixo e doe agora.