Lideranças indígenas viajam à Europa para cobrar transparência na cadeia global do ouro e lutar por uma Amazônia livre de garimpo.

“Queremos viver em uma Amazônia viva e preservada, com nossos direitos protegidos, rios limpos, peixes livres de contaminação e sem a constante ameaça de invasões.”
– Alessandra Korap, liderança indígena do povo Munduruku
Há gerações, muito antes de as questões climáticas e de biodiversidade ganharem destaque nas agendas globais, os povos indígenas e as comunidades tradicionais já desempenhavam um papel fundamental na conservação da natureza. Com seus modos de vida e culturas profundamente conectados com seus territórios, eles protegem e mantêm os ecossistemas mais importantes da Terra.

Embora representem cerca de 6% da população mundial, essas comunidades ocupam pelo menos 37% das áreas naturais preservadas no mundo.
Mas os territórios que ajudam a conservar estão sob crescente pressão. Com o avanço do garimpo na Amazônia, os povos indígenas seguem liderando a luta contra a destruição da floresta e as violações de direitos. Além dos impactos ambientais, a expansão do garimpo tem intensificado a violência, ameaçado a saúde, a segurança e os modos de vida das comunidades indígenas.
Para dar visibilidade a essa realidade e denunciar os impactos da cadeia global do ouro, a convite do Greenpeace, importantes lideranças indígenas estão viajando, durante o mês de junho, pela Europa – passando por França, Bélgica, Países Baixos e Itália na turnê “O Verdadeiro Custo do Ouro”.
O grupo inclui:
- Alessandra Korap Munduruku, do povo Munduruku, ativista reconhecida internacionalmente e vencedora do Prêmio Goldman em 2023 por sua luta contra uma empresa de mineração em seu território.
- Juma Xipaia, do povo Xipaia, cacica da aldeia Kaarimã, Terra Indígena Xipaia, e fundadora do Instituto Juma.
- Megaron Txucarramãe, do povo Kayapó, figura chave no movimento moderno pelos direitos indígenas, representante do Instituto Raoni e sucessor do Cacique Raoni Metuktire.
- Beptuk Metuktire, do povo Kayapó, representante da nova geração de lideranças Mēbêngôkre e membro da coordenação do Instituto Raoni.
Juntamente com o Greenpeace, eles estão se reunindo com lideranças políticas, jornalistas e outros atores influentes para exigir maior responsabilização e transparência na cadeia global do ouro, maior proteção para os territórios indígenas e maior apoio à proteção florestal.
A mensagem é simples: defender os direitos dos povos indígenas é uma questão de justiça e de proteção da vida.
É preservar alguns dos ecossistemas mais importantes que ainda existem, manter a estabilidade do clima, garantir a segurança das águas e defender as condições que tornam a vida possível.
Por isso, quando os povos indígenas dizem que “A resposta somos nós”, não estão falando apenas de seus territórios, mas do futuro das pessoas e do planeta.
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