Em menos de um ano, moradores de Ilhéus, na Bahia, viveram duas vezes o medo de perder suas casas após chuvas intensas

Alagamento no bairro Teotônio Vilela, na cidade de Ilhéus, Bahia, em 02/12/22. © Marcos Lessa / Conam.

Em menos de um ano, moradores do bairro de Teotônio Vilela, na cidade de Ilhéus, Bahia, tiveram de deixar suas casas duas vezes após enchentes provocadas por fortes chuvas. As consequências são resultado também da falta de políticas públicas que garantam moradia segura para todas as pessoas, especialmente àquelas que já vivem em lugares mais suscetíveis a tragédias como essa. 

“Hoje nós tememos que essas enchentes continuem se repetindo. Em 24 de dezembro de 2021, as pessoas passaram o Natal tirando os móveis de suas casas, tentando salvar o que foi possível e, principalmente, salvar suas vidas. Em 02 de dezembro de 2022, veio outra enchente”, relata Marcos Lessa, conselheiro da Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM) na Bahia. 

Um levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) dos desastres que aconteceram em consequência das chuvas em todo Brasil, entre 1º e 31 de dezembro de 2022, aponta que o estado com o maior número de vítimas foi a Bahia. Mais de 11 mil pessoas ficaram desabrigadas e 33,4 mil, desalojadas. O relatório também denuncia o abandono do poder público. Entre janeiro e dezembro de 2022, ano que teve o maior número de mortes provocadas por chuvas no país, o governo federal pagou apenas 51,7% do valor autorizado para programas de proteção e defesa civil

A cada palavra aqui escrita ou lida, cerca de 9 milhões de pessoas que moram em áreas de risco no Brasil (IBGE/Cemaden) seguem com suas vidas ameaçadas diante de uma realidade que necessita urgentemente ser transformada. Não podemos mais seguir inertes à urgência de cobrar e ecoar a luta pela vida de quem mais está sofrendo as consequências e vivendo sob o medo, as perdas e a falta de acesso a uma vida digna. 

Rodrigo Jesus, porta-voz da campanha de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil, comenta sobre um modelo de urbanização historicamente excludente e a urgência necessária do poder público priorizar ações de adaptação. “É cíclico, racista e intencional a falta de políticas públicas de prevenção a catástrofes com o histórico de fortes chuvas no país. O Brasil ainda reproduz um retrato colonial e sistêmico da falta de acesso e infraestrutura destinada ao povo periférico e pobre. Ao invés de aprofundar e investir em medidas de adaptação para assegurar vidas a médio e longo prazo, o poder público continua apostando apenas em ações de resposta rápida no momento em que a catástrofe apresenta danos humanos”.

Atualmente, no Brasil, 195 municípios estão em situação de emergência por conta do risco de chuvas intensas, enxurradas, alagamentos e inundações, segundo a Defesa Civil Nacional. 

“Enquanto não tiver um projeto, um programa de governo que compreenda todos os déficits habitacionais e garanta moradia digna e segura, infelizmente, os trabalhadores e trabalhadoras seguirão sendo empurrados a buscar alternativas de moradia e sobrevivência”, comenta Lessa, que também é presidente da Federação das Associações de Moradores de Ilhéus – Bahia. E essas alternativas nem sempre são seguras, mas as possíveis para essas populações.  

Lessa complementa dizendo que os moradores locais têm lutado por projetos que garantam moradia digna e assegurem caminhos para a recuperação das áreas ocupadas. Em seu depoimento, ele revela ter esperança. “Além da nossa participação no Conselho Municipal, agora, com o retorno do Ministério das Cidades, com programas habitacionais como “Minha Casa Minha Vida” e outros, a gente espera conseguir moradia digna para a população e recuperar as áreas degradadas”, afirma.

A emergência não deixa mais escolha para os governos, é urgente destinar recursos para enfrentar a crise climática, adaptar as cidades e evitar que mais vidas sejam perdidas e ameaçadas. Em momentos como este, a solidariedade pode fazer toda diferença.

A crise climática mata. A solidariedade salva. O Greenpeace Brasil está apoiando iniciativas de assistência a comunidades diretamente afetadas pelas chuvas. Somos uma organização independente, que não aceita recursos de empresas, governos ou partidos políticos. Dependemos do apoio de pessoas como você, que se importam com a justiça climática. Doe agora e ajude quem mais precisa.

O Rio Grande do Sul enfrenta uma tragédia climática sem precedentes, com mais de 1 milhão de pessoas diretamente impactadas pelas fortes chuvas. Nossa campanha está destinando recursos para a compra e entrega de suprimentos emergenciais e apoiando cozinhas solidárias. Precisamos da sua solidariedade nesse momento tão crítico. Clique abaixo e doe agora.