Dois anos após as enchentes, ativistas do Greenpeace cobram adaptação climática em ação na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre

Ativistas do Greenpeace fizeram uma ação na Usina do Gasômetro, um dos cartões-postais de Porto Alegre (RS), estampando uma mensagem que reforça a urgência de preparar as cidades para os eventos extremos do clima. As letras nos guarda-chuvas formaram a frase: “Não existem pessoas seguras sem cidades preparadas.” O manifesto aconteceu em meio a dias de chuva intensa durante a Semana do Clima, e o local escolhido, à beira do Rio Guaíba, remete às enchentes de 2024, quando o rio atingiu o recorde histórico de 5,37 metros.
© Bernardo Appel / Greenpeace

Em 2024, o Rio Grande do Sul vivenciou uma tragédia que devastou o estado. A previsão do tempo, a possibilidade de novas chuvas fortes e o anúncio de um Super El Niño são motivos de preocupação constante para qualquer pessoa que tenha vivido um impacto de tamanha magnitude.

Os números não traduzem a dor humana, mas ajudam a dimensionar o tamanho do desastre. Segundo a Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 (PEERS), do IBGE, 6,3 milhões de pessoas viviam nas áreas mais atingidas, distribuídas em 2,3 milhões de domicílios. Desses, 88% sofreram algum tipo de impacto.

Os impactos da enchente não ficaram no passado

A PEERS aponta que, em dois de cada três domicílios atingidos, ao menos uma pessoa teve a saúde mental abalada. Em Porto Alegre, o índice é ainda mais grave: atinge 73,3% dos lares, o maior do estado.

Dois anos depois, durante a Semana de Ação Climática em Porto Alegre, é possível perceber, tanto nos debates quanto nas conversas com moradores locais, que as prioridades do poder público nem sempre correspondem ao que a população sente e enfrenta. A maior parte dos recursos foi direcionado para obras de infraestrutura cinza (como rodovias, diques), enquanto direitos básicos permaneceram inacessíveis para muitas pessoas, como o direito à moradia adequada.

Os relatos das pessoas expõem o medo de novas cheias, o descumprimento das promessas de moradia adequada nos territórios mais afetados, o endividamento e o impacto na saúde mental, que volta toda vez que o rio sobe. 

Em apoio aos moradores e em uma construção conjunta com os grupos de voluntários de Porto Alegre e do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, fazemos uma pergunta simples: a reconstrução aconteceu para quem?

A cidade foi reconstruída em parte. Os direitos humanos das pessoas atingidas, não.

A reconstrução precisa ser feita como uma política de reparação integral que envolve restituição, indenização, reabilitação, satisfação e garantias de não repetição. Além disso, ela pressupõe que houve uma violação, identifica quem deve responder por ela e reconhece quem teve seu direito violado. 

É justamente a garantia de não repetição que cobramos ao levar ao espaço público a mensagem: “Não existem pessoas seguras sem cidades preparadas”. A ação reforça o dever do Estado de evitar novos desastres e de garantir reabilitação física, econômica e mental para a população.

O que está acontecendo enquanto montamos os guarda-chuvas

A ação ocorre em meio a dias seguidos de chuvas intensas, durante a Semana de Ação Climática em Porto Alegre. No deslocamento pela cidade, é possível ver a água subindo novamente. 

Conforme projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, o Lago Guaíba, na capital gaúcha, deve apresentar elevação gradual e pode atingir a cota de alerta, de 2,50 metros, entre sexta-feira (24.07.26) e sábado (25.07.26). No estado, mais de mil pessoas já precisaram deixar suas casas por conta dos novos temporais, com riscos reais de alagamento em áreas vulneráveis como as ilhas do Arquipélago.

Ação na Usina do Gasômetro, às margens do Rio Guaíba, em Porto Alegre. 25.07.26 © Bernardo Appel / Greenpeace

O que foi reconstruído não é suficiente para proteger as pessoas de uma nova enchente

É urgente garantir que as cidades estejam preparadas para enfrentar os impactos da crise climática e que as pessoas atingidas tenham seus direitos respeitados.

Participe do abaixo-assinado “Adaptação Climática Urgente: Proteja Vidas Agora” e cobre de governos e candidatos, em um ano eleitoral, compromissos concretos com:

  • orçamento direcionado para adaptação climática;
  • uma política permanente de direitos para as populações atingidas, com órgão e fundo próprios;
  • transparência e controle social sobre os recursos destinados à reconstrução;
  • participação das pessoas atingidas em todas as etapas das decisões que afetam suas vidas.

Reconstruir não pode significar apenas refazer o que a água levou. É preciso preparar as cidades para o que vem pela frente. Não existem pessoas seguras sem cidades preparadas.

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