Centenárias e essenciais para a biodiversidade e o clima, as árvores gigantes da Amazônia estão entre os seres vivos mais valiosos e vulneráveis da floresta
As árvores gigantes da Amazônia sobreviveram por séculos a tempestades, secas, enchentes e transformações naturais da floresta. No entanto, hoje enfrentam ameaças causadas pela atividade humana que podem destruir, em poucos dias, indivíduos que levaram centenas de anos para atingir suas dimensões extraordinárias.
O avanço do desmatamento na Amazônia, da exploração madeireira e do garimpo ilegal coloca em risco algumas das árvores mais antigas e importantes da floresta. Espécies como o Angelim-vermelho, conhecidas por alcançar mais de 80 metros de altura, são especialmente visadas devido ao alto valor comercial de sua madeira. Em muitos casos, a derrubada de um único exemplar representa a perda de séculos de crescimento contínuo.

Foto: Ifap/acervo
A pressão sobre essas árvores também aumenta à medida que novas áreas da floresta amazônica são abertas para atividades econômicas predatórias. Estradas, áreas de mineração e frentes de exploração madeireira avançam sobre regiões remotas onde muitas árvores gigantes ainda permanecem preservadas, fragmentando habitats e alterando o equilíbrio ecológico da floresta.

© Greenpeace
Garimpo a 1 km da segunda árvore mais alta da Amazônia
Em novembro de 2025, uma operação do Ibama destruiu equipamentos usados para atividades de garimpo ilegal a apenas 1 quilômetro da segunda árvore mais alta da Amazônia, um Angelim-vermelho de 85,5 metros de altura, o dobro da média da floresta.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri mapearam a espécie em levantamentos de 2018 e 2019. Ela está localizada em um santuário de árvores gigantes, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, em Porto Grande.
Em outubro de 2024, a Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Amapá recomendou que a Secretaria de Meio Ambiente do Amapá monitorasse a região por conta da ameaça que o garimpo representa para o santuário das árvores gigantes.
A Operação Xapiri Karuana do Ibama aconteceu em Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, área que abriga pelo menos três garimpos ilegais e está a apenas 1 quilômetro do santuário.
Por que não podemos perder as árvores gigantes?
As consequências da destruição das árvores gigantes da Amazônia vão muito além da perda de indivíduos raros. Cada árvore centenária dessas tem uma importância fundamental para a floresta.
Elas funcionam como um ecossistema em si mesmas, abrigando aves, mamíferos, insetos, fungos e diversas espécies de plantas. Quando uma dessas árvores gigantes é derrubada, desaparece também uma complexa rede de interações biológicas construída ao longo de gerações.
Além disso, as árvores gigantes armazenam grandes quantidades de carbono em sua estrutura. Sua destruição libera parte desse carbono para a atmosfera, o que contribui para o agravamento da crise climática. Por isso, a conservação das árvores gigantes da Amazônia está diretamente ligada aos esforços globais de combate às mudanças climáticas.
Essas árvores são testemunhas vivas da história da floresta, já que muitas já estavam crescendo antes mesmo da formação do Estado brasileiro e continuam desempenhando funções essenciais para a biodiversidade amazônica, para os ciclos da água e para a estabilidade climática da região.
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