A floresta é fundamental para o clima, a água, a produção de alimentos, para nossa vida! Neste Dia da Amazônia, entenda o que está em jogo e como agir por sua proteção

Floresta amazônica próximo ao rio Tapajós © Valdemir Cunha
As florestas capturam e armazenam o carbono da atmosfera. Conservá-las e restaurá-las é a solução natural mais viável e acessível no enfrentamento do aquecimento global. © Valdemir Cunha

No dia 5 de setembro celebra-se o Dia da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, que estende seus rios e matas por quase metade do território nacional. Para o brasileiro, ela faz parte da nossa identidade e do nosso imaginário. Mas a floresta, que é tão importante para nós e para o mundo, está sob forte pressão. 

Desde 2019, o desmatamento tem se elevado a patamares muito além dos aceitáveis. Em 2020, de acordo com dados do Prodes, do Inpe, o desmatamento da Amazônia tirou do mapa mais de 10 mil km² de floresta nativa e, segundo estimativas do sistema de alertas do Inpe, o Deter, de agosto de 2020 a julho de 2021, os alertas de desmatamento cobriram uma área de 8.712 Km², o segundo maior acumulado da série histórica do Deter-B, somente menor que o de 2020.

É uma pressão institucionalizada, que vem sendo tocada como projeto de governo por Bolsonaro e pela bancada ruralista na Câmara e no Senado, que nos últimos meses vem correndo para aprovar projetos desastrosos e que podem causar impactos irreversíveis à floresta.  

Área recém desmatada e queimada em Porto Velho, Rondônia. (Christian Braga/Greenpeace)

No campo legislativo, a floresta e seus povos enfrentam uma das maiores ofensivas de nossa história recente. Estão em tramitação projetos como o “PL da Grilagem” (PL 2.633/2020), já aprovado na Câmara dos Deputados, que pretende legalizar o crime, o Projeto de Lei 3.729/2004, que flexibiliza o licenciamento ambiental e que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, e tramita agora no Senado com a numeração PL 2159/2021 sob relatoria da senadora Katia Abreu (PP-TO). 

Há ainda o Projeto de Lei 191/2020, que prevê a liberação de atividades como mineração, garimpo, extração de petróleo e gás, construção de hidrelétricas e agropecuária dentro de terras indígenas, e o PL 490/2007, que se aprovado irá inviabilizar demarcações de terras indígenas e ameaçar os territórios já homologados.

O Brasil vem vivenciando uma verdadeira volta ao passado, com o desmonte das estruturas de fiscalização e controle ambiental, construídas a tanto custo nas últimas décadas. Organizações de pesquisa e pesquisadores tiveram suas verbas cortadas, o Ibama perdeu dinheiro e liderança, sendo entregue nas mãos de ex policiais militares alinhados com a política antiambiental do governo, assim como o Ministério de Meio Ambiente, que foi quase extinto – e hoje está mais para um ministério zumbi, que abriu mão de sua função de zelar pelo meio ambiente. 

Você pode estar se perguntando “e o que eu tenho a ver com isso”? E a resposta é TUDO!

Por que se importar com a  Amazônia? 

A Amazônia é importante para o clima regional, ela mantém a temperatura de 2 a 3 graus mais fria, ajudando a manter uma estabilidade climática. A floresta também tem um papel central no ciclo das águas do Brasil, as árvores da Amazônia bombeiam 20 bilhões de toneladas de água por dia para atmosfera. Água de vira chuva no centro-oeste do Brasil, região de grande produção agrícola. 

Mas isso não é tudo, a Amazônia armazena 120 bilhões de toneladas de carbono em sua biomassa, o que é importantíssimo para o combate à crise climática. No Brasil, entretanto, 44% das emissões de gases do efeito estufa vem exatamente do desmatamento. 

Já perdemos 20% da Amazônia brasileira e 17% do bioma, o que nos deixa cada vez mais perto de um ponto em que a floresta não poderá mais se regenerar. Se isso um dia acontecer, será o fim da linha para nós, todos nós. 

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) trouxe um alerta importante, de que os efeitos das mudanças climáticas estão chegando bem antes do esperado pela ciência e que podemos estar vivendo a última janela para agir contra a crise climática. 

Portanto, hoje, no Dia da Amazônia, te convidamos a agir pela floresta, e pelo nosso próprio futuro. Sabemos que, diante de tantas notícias ruins e pela grandiosidade do desafio, podemos nos sentir um tanto impotentes. Sabemos também que não existe uma solução fácil ou única. Mas temos a certeza de que se a humanidade se unir, empresas, governos e pessoas comuns de todas as partes, podemos promover a mudança que precisamos. 

Governos podem investir na estrutura de fiscalização e jogar duro com o crime ambiental. No legislativo, poderíamos estar debatendo leis de responsabilidade climática e de proteção florestal. Empresas poderiam fechar as portas para os produtos vindos da destruição, investindo em controle o mesmo valor que investem em propaganda. E nós?

Nós podemos exigir diariamente que todas essas empresas, governos, deputados e senadores façam essas escolhas. Podemos levar o tema para as escolas, para o grupo de mensagens, para a conversa no café. Podemos buscar por uma alimentação mais justa e saudável para todos, e não apenas para quem pode pagar. Podemos apoiar para valer produtores de todas as áreas que realmente façam escolhas mais sustentáveis. Podemos olhar para nós mesmos e nos perguntar: o que eu fiz hoje para melhorar o mundo?

Quer fazer mais pela floresta HOJE? Então entre para a Brigada Digital e saiba como!

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