De entrega de abaixo-assinado ao STF a amicus curiae, não nos calamos diante dos ataques contra os direitos dos povos indígenas.

The Free Land Camp (ATL) reaches its 19th edition, taking place once again in Brasília, Brazil. In 2023, indigenous people bring the theme “The indigenous future is today. Without demarcation there is no democracy! The indigenous movement calls for the resumption of the policy of demarcating original territories, which was stopped during the previous government.

Historically, Greenpeace Brazil has been together with the indigenous people to record memorable marches, power plenaries, ancestral knowledge and the life of struggle of indigenous people.

O Greenpeace Brasil defende a urgência em o Estado brasileiro demarcar todas as terras indígenas do país como forma de preservar a cultura e o modos de vida ancestrais dos povos indígenas. Por isso, rejeitamos a tese do Marco Temporal desde o início do seu julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019. 

Em maio de 2020, o Greenpeace Brasil ingressou com pedido no STF para atuar como amicus curiae no julgamento do processo. Popularmente chamada de “amigo da Corte”, a figura do amicus curiae é desempenhada por organizações e instituições que participam em julgamentos com o objetivo fornecer subsídios, fatos, informações e indagações para que os ministros formem seus votos.

“A atuação como amicus curiae no processo fiscalizatório constitucional é um significativo avanço para a democracia brasileira, pois possibilita a ampliação do debate do controle constitucional à sociedade,  permitindo atuação em causas que transcendem as partes e atingem, quase sempre, a sociedade como um todo. Mais que isso, o amicus é a porta de acesso para a participação social na jurisdição constitucional”, afirma a advogada do Greenpeace Brasil, Angela Barbarulo. 

Em 2021, o Greenpeace Brasil e outros 20 amicus curiae apresentaram aos ministros do STF argumentos em defesa dos direitos constitucionais indígenas. 

“O Greenpeace Brasil buscou levar à Suprema Corte elementos e aspectos jurídicos de modo a contribuir para o julgamento do Marco Temporal, sustentando, em linhas gerais, que as Terras Indígenas e Unidades de Conservação são essenciais para a conservação dos diferentes biomas, em especial da Amazônia; que as TIs servem de limites naturais para conter o avanço do desmatamento; que os povos indígenas são guardiões por excelência da natureza, sem a qual não será possível vencer a mais grave emergência que ameaça a humanidade – a climática”, explica Barbarulo.  

The Free Land Camp (ATL) reaches its 19th edition, taking place once again in Brasília, Brazil. In 2023, indigenous people bring the theme “The indigenous future is today. Without demarcation there is no democracy! The indigenous movement calls for the resumption of the policy of demarcating original territories, which was stopped during the previous government.

Historically, Greenpeace Brazil has been together with the indigenous people to record memorable marches, power plenaries, ancestral knowledge and the life of struggle of indigenous people.

Nesta quarta-feira (30), o STF retomará o julgamento do Marco Temporal (entenda o julgamento abaixo). O Greenpeace Brasil estará em Brasília para apoiar os povos indígenas acampados em frente ao Congresso Nacional.

Entrega de abaixo-assinado 

Em junho deste ano, o Greenpeace Brasil realizou outra ação em apoio aos povos indígenas: junto do Cacique Raoni, do coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) Dinamam Tuxa e da liderança indígena Alessandra Munduruku, protocolamos no processo e entregamos ao STF o  abaixo-assinado com mais de 350 mil assinaturas contra a aprovação da tese do Marco Temporal. 

Intitulado Pela rejeição do Marco Temporal, o abaixo-assinado lançado pelo Greenpeace Brasil coletou, até o momento, mais de 474 mil assinaturas da sociedade civil. Ele ficará no ar até a retomada do julgamento pelo STF, marcada para esta semana, no dia 30 de agosto. Você pode assinar o documento aqui.

Cacique Raoni entrega abaixo-assinado “Pela Rejeição do Marco Temporal” à equipe da ministra Rosa Weber.

Direitos indígenas: uma luta de todos

Os territórios indígenas são a principal barreira contra o desmatamento das florestas: nos últimos 30 anos, enquanto as Terras Indígenas perderam 1% de sua área de vegetação nativa, nas áreas privadas a perda foi de 20,6%. Além disso, apesar de ocuparem menos de 14% do território brasileiro, as Terras Indígenas abrigam 20% da vegetação nativa de todo o país. 

Ao preservarem as florestas nativas e barrarem o avanço do desmatamento, as Terras Indígenas também estão freando o avanço das mudanças climáticas.

Assim, garantir que seja mantido o direito desses povos sobre suas terras não é uma luta somente dos indígenas, mas de toda a sociedade brasileira, pois diz respeito à manutenção da vida humana na Terra. 

Vale lembrar que as Terras Indígenas não são espaços vazios, mas locais de muita vida, biodiversidade, tradições, línguas e culturas. Uma vez que o território é muito mais que um pedaço de terra para os povos indígenas, é o seu modo de ser e a sua razão de existir, defender a demarcação dos seus territórios é defender a vida de mais de 1,7 milhões de pessoas indígenas (Censo de 2022). Como afirmou Darcy Ribeiro, o indígena é “um ser da sua terra. A posse da terra é essencial à sua sobrevivência”. Não há indígena sem terra.

Afinal, o que é o Marco Temporal?

Essa tese busca definir uma data a partir de quando os territórios podem ou não ser considerados Terra Indígena. Seus defensores querem que seja o dia da promulgação da Constituição Federal – 5 de outubro de 1988. 

O artigo 231 da Constituição Federal de 1988, contudo, é explícito e reconhece os “direitos originários” dos povos indígenas, da seguinte forma:. “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam (..)“. Isso significa que esses direitos são anteriores à formação do Brasil e não podem ser lidos ou interpretados como tendo uma data específica a partir de quando eles passam a valer ou não. 

O Greenpeace Brasil  confia que o STF não se intimidará e respeitará a Constituição, reafirmando o direito originário dos indígenas sobre os seus territórios. 

Junte-se a nós nessa luta democrática em defesa da manutenção dos direitos indígenas! Acompanhe nossa cobertura da retomada do julgamento nas nossas redes sociais.  

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