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No Dia Internacional das Florestas é hora de refletir sobre a nossa relação com a natureza

A Sumaúma (Ceiba pentandra) se destaca na floresta por seu tamanho. Foto: Valdemir Cunha/Greenpeace.

No Dia Internacional das Florestas (21) celebramos nosso amor por uma das maiores expressões de perfeição da natureza e lembramos da importância que elas têm na manutenção de uma vida saudável para toda a sociedade brasileira e global.

É hora, também, para refletirmos sobre a importância de conservá-las, pois elas são fundamentais para enfrentar as mudanças climáticas e conter a rápida perda de biodiversidade – e este momento crítico e prioritário de enfrentamento ao Covid-19 deixa isso ainda mais claro. 

Estamos vivenciando a primeira extinção em massa de espécies desde o desaparecimento dos dinossauros. De fato cerca de 1 milhão de espécies do planeta estão em processo de extinção. No caso do clima, nos resta pouco tempo para limitar o aquecimento do planeta em 1.5ºC, para evitar impactos ainda mais catastróficos das mudanças climáticas que, assim como a crise atual, afeta mais severamente os mais pobres. 

Quando conservadas, as florestas agem como uma solução para combater o avanço da crise climática e da biodiversidade. Mas quando são desmatadas, surtem o efeito contrário, elas contribuem com o problema, emitindo gases do efeito estufa que antes estavam retidos e comprometem o habitat de espécies da biodiversidade. Por isso é fundamental manter a integridade e resiliência de florestas como a Amazônia, como a ciência vem defendendo há anos.  

Mas, afinal, qual a função das florestas e por que elas são tão importantes? 

  • Além de estocar carbono, as florestas regulam o clima. No caso da Amazônia, esta leva a umidade gerada na floresta para outras regiões. Água que serve para irrigar plantações e encher reservatórios de água. 
  • As florestas são a casa da maior parte da biodiversidade do planeta, muitas vezes ainda desconhecida para a ciência. Na Amazônia, por exemplo, nos últimos anos foram documentadas cerca de 600 novas espécies, mesmo como baixo investimento do Brasil em ciência e pesquisa. Mas o avanço do desmatamento coloca em risco milhares – ou centenas de milhares – de espécies que sequer conhecemos
  • Manter as florestas conservadas pode evitar a proliferação de doenças: um estudo mostrou que ao passo que a floresta é derrubada, também aumenta a incidência de malária. No caso de doenças zoonóticas – aquelas que são transmitidas de animais para humanos – , se um ecossistema está conservado e em equilíbrio, a diversidade de espécies evita que vírus, germes, bactérias e outros agentes patogênicos possam se proliferar. Entretanto, a perturbação dos ecossistemas naturais – como por exemplo o desmatamento – aumenta as chances desses patógenos passarem de animais selvagens para humanos. Um estudo argumenta que cerca de 30% do aparecimento de doenças como Zika, Ebola e Nipah estão conectadas com a mudança do uso do solo.  
  • A floresta é uma grande biblioteca de medicamentos naturais! Com a manutenção da floresta em pé e o investimento em pesquisas podemos encontrar princípios ativos para medicamentos e até a cura para doenças, tudo a partir do conhecimento da sua biodiversidade. 
  • Além disso, a floresta em pé oferece oportunidades de envolvimento de comunidades locais, que podem desenvolver atividades econômicas de baixo impacto ao passo que conservam as florestas. 

Esses são benefícios para toda a sociedade, enquanto a destruição da floresta é injusta, enriquecendo poucas pessoas e prejudicando a maioria. E mesmo com tantos alertas da comunidade científica sobre a importância de preservar as florestas, no Brasil infelizmente estamos seguindo na direção oposta, com a redução de atividades de fiscalização, enfraquecimento dos órgãos de combate ao desmatamento e ataque às terras indígenas. 

O desmatamento voltou a subir por aqui. Só no último ano, houve aumento de 30% na destruição da Amazônia, o equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol desmatados. 

A floresta está  cada dia mais próxima de atingir o que os cientistas chamam de ponto de não retorno, quando a Amazônia perderia sua capacidade de se recuperar, chegando a um estado mais parecido com uma savana, levando a perda de serviços ecossistêmicos hoje oferecidos pela floresta. 

A floresta precisa de nós e nós precisamos dela

Precisamos, como sociedade, repensar nossa relação com a natureza e buscar soluções para lidar com a rápida perda da biodiversidade e com as mudanças climáticas. Um passo importante nesse caminho é parar imediatamente o desmatamento e manter as florestas remanescentes saudáveis. 

Temos que agir para conservar a biodiversidade que conhecemos e também aquela que desconhecemos – neste sentido, investimentos em ciência e pesquisa são fundamentais.  

Enquanto fica em casa, em um importante esforço coletivo para lutar contra o coronavírus, te convidamos a refletir sobre o tema.

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