O Programa Tatiana de Carvalho de Pesquisa e Conservação da Amazônia irá financiar projetos de estudo da biodiversidade da maior floresta tropical do mundo

Macaco Aranha (Ateles belzebuth marginatus), avistado no Parque Estadual do Cristalino (MT). (Daniel Beltrá/Greenpeace)

Em meio à esforços para o reverter a crise do clima e da perda de biodiversidade, o Greenpeace lançou, em fevereiro deste ano, o Programa Tatiana de Carvalho de Pesquisa e Conservação da Amazônia, um projeto idealizado para incentivar e apoiar pesquisadores brasileiros no estudo sobre novas espécies da biodiversidade amazônica, com investimento de R$ 438 mil para pesquisas nas áreas de botânica e zoologia. 

O programa faz parte do projeto Protegendo o Desconhecido do Greenpeace Brasil e, hoje, temos satisfação de anunciar os contemplados neste edital.

Recebemos 147 inscrições. As aplicações foram avaliadas por um comitê de seleção composto por 11 pesquisadores das áreas de interesse do edital, coordenados por Erika Berenguer (Universidades de Oxford e Lancaster, no Reino Unido) e Fabricius M.C.B. Domingos (Universidade Federal do Paraná). A seleção seguiu critérios como o atendimento ao escopo do edital, viabilidade, originalidade e relevância. 

Confira a lista:

Categoria 1 – Bolsas de mestrado destinadas ao Museu Paraense Emílio Goeldi: 

  • Fabián Alfonso García Oviedo, zoologia – aranhas;
  • Natália da Conceição Lameira, zoologia – peixes;
  • Leonardo Moutinho Lanna, zoologia – Mantodea, programa em parceria com a Universidade Federal do Pará; 
  • Beatriz Valente Miglio, botânica – fungos, parceria com a  Universidade Federal Rural da Amazônia;
  • Tainá Diulyen dos Santos Matos, zoologia – aranhas, programa em parceria com a Universidade Federal do Pará;  
  • Cassiane Barroso dos Anjos, botânica – Polygalaceae, parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia;
  • Rodrigo Rendeiro Barbosa, zoologia – díptero, programa em parceria com a  Universidade Federal Rural da Amazônia.

Categoria 1 – Bolsas destinadas a demais instituições: 

  • Talissa Pio de Matos , zoologia – Trichoptera, Universidade Federal do Pará;
  • Isaac Sidomar Cabral da Silva Fernandes, zoologia – peixes, Universidade Federal do Pará;
  • Maria Helena dos Santos Reis, zoologia – helmintos, Universidade Federal do Maranhão; 
  • Fabiana Aparecida Rego Ciecoski, botânica – liquens, Universidade Federal do Mato Grosso. 

Categoria 2 – Apoio para trabalho de campo e/ou visita técnica a coleções:

  • Priscila Figueira de Souza Costa, botânica – árvore (Eschweilera), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; 
  • Mayara Pastore, botânica – lianas, Museu Paraense Emílio Goeldi; 
  • Lívia Pires do Prado, zoologia – formigas, Museu Paraense Emílio Goeldi; 
  • Alexander Tamanini Mônico,  zoologia – anfíbios, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; 
  • Flavio Roberto de Albuquerque Almeida, zoologia – insetos, Universidade Federal do Pará e Museu Paraense Emílio Goeldi; 
  • Sheila Pereira de Lima , zoologia – insetos, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia;
  • Carolina Costa de Souza, zoologia – insetos, Universidade Federal do Pará e Museu Paraense Emílio Goeldi. 

Agradecemos a todas e todos que mostraram interesse e se inscreveram no programa. O Greenpeace entrará em contato com os pesquisadores selecionados por e-mail. Em caso de desistência, as vagas serão preenchidas pelos candidatos com as maiores pontuações, de acordo com os critérios avaliados, sendo notificados por e-mail. 

Programa Tatiana de Carvalho de Pesquisa e Conservação da Amazônia

O programa de incentivo à pesquisa de biodiversidade da Amazônia está ligado ao projeto Protegendo o Desconhecido, lançado em 2020 pelo Greenpeace Brasil, com o objetivo de mostrar a importância da pesquisa científica, que tem sido sucateada pelo poder público, e abordar o problema da rápida perda de biodiversidade, agravado pelo aumento do desmatamento e pelas mudanças climáticas. 

A pesquisa científica, visando o conhecimento da biodiversidade da Amazônia, precisa ser priorizada no Brasil. Lamentavelmente, a maior floresta tropical do mundo é alvo de um dos menores esforços de amostragem da biodiversidade. Neste momento de crise estamos vendo, na prática, a diferença que investimentos na ciência fazem para a toda a sociedade. 

A biodiversidade oferece uma série de benefícios para toda a sociedade, muitas vezes, inclusive, permitindo encontrar nela a cura para diversas doenças. 

“Iniciativas como essa são essenciais, principalmente num momento como o que estamos vivendo, em que estamos sofrendo ano a ano com cortes em bolsas de estudos”, afirma Erika Berenguer. 

O edital foi inspirado no trabalho da ativista Tatiana de Carvalho, que trabalhou por quase uma década no Greenpeace, atuando na linha de frente da luta ambiental e pela proteção da floresta. Tatiana era a mais pura expressão de alegria, autenticidade, garra, espontaneidade, mas, infelizmente, nos deixou em 2012. Este programa é uma forma de continuar o trabalho a que Tati dedicou a vida: descobrir e proteger a Amazônia.