Para o Greenpeace, a agroecologia é a verdadeira solução frente às  tentativas do agronegócio e dos ruralistas de mascarar os problemas da fome, da destruição do meio ambiente e do aumento da desigualdade social que o setor promove. Veja a seguir um “girão” do Greenpeace Brasil em 2021 no tema da Agricultura e Alimentação.

Responsável por gerar 70% da renda e dos empregos no campo, a agricultura familiar é quem de fato mata a fome no Brasil. (Foto: © Nieves Rodrigues / Greenpeace)

Neste blog, vamos relembrar o que aconteceu de mais importante em 2021 nessa campanha em defesa do meio ambiente e de uma alimentação saudável, justa, sem veneno e acessível a todas as pessoas. Confira!

1. Arroz, feijão e vacina:

Depois de mais de um ano de pandemia, na data em que se comemora o dia mundial da saúde começamos nossos trabalhos com a campanha arroz, feijão e vacina. Nas mãos de um governo que insistiu em não agir pelos 19 milhões de brasileiros que atualmente passam fome ou vivem o drama da insegurança alimentar, a campanha reforçou a importância de uma alimentação justa e saudável – um direito constitucional de todos os brasileiros – na melhoria da saúde das pessoas. 

2. Criatividade na luta:

No dia 15 de março, quando é celebrado o ‘’Dia Mundial do Consumidor’’, fizemos barulho reivindicando mais uma vez o direito de todos e todas por comida de verdade, produzida sem veneno. Por meio de uma convocatória criativa recebemos mais de 50 artes enviadas por pessoas de todo o Brasil. Isso nos mostra que tem muita gente se somando à luta pela democratização da alimentação adequada e saudável, confira aqui os resultados da convocatória!

3. Você conhece o rosto de quem produz seu alimento?

Na série ‘’O rosto da agroecologia’’ mostramos, a partir de três experiências, histórias reais de quem vive e produz alimentos agroecológicos e reforçamos a diversidade e a riqueza cultural que estão presentes nesta produção e como é possível seguir por este caminho. Não é coisa de ”fundo de quintal’’, como diz a agricultora Neneide, da rede Xique-xique. Na série, ela e outros produtores mostram o dinamismo e as soluções em rede da agricultura familiar e agroecológica para continuar produzindo e levando comida saudável às pessoas, mesmo durante a pandemia – e com pouquíssimo apoio do Estado.

4. Agroecologia contra a fome

Desde março de 2020, a campanha Agroecologia Contra a Fome reuniu atores da sociedade civil para levar comida a quem mais estava precisando. Junto a uma rede de parceiros, o Greenpeace realizou doações de cestas básicas agroecológicas para famílias de todo o Brasil. Foram toneladas de alimentos, que eram adquiridos de produtores e produtoras familiares agroecológicos – muitos deles com dificuldades de escoar seus produtos na pandemia – e em seguida distribuídas para as comunidades próximas. Saiba mais sobre esta ação de solidariedade protagonizada pelos verdadeiros guardiões da segurança e soberania alimentar no Brasil.

Parcerias importantes!

5. Encontre um produtor perto de você

Além de doar alimentos a quem precisa, nós também conectamos as pessoas das cidades com produtores agroecológicos perto delas. Em parceria com o programa “SAC” do Quebrando o Tabu, convidamos a chef Irina Cordeiro para que, com seu humor incomparável, nos ajudasse a explicar que agroecologia não é coisa de “comunistinha de hortinha”. Dá uma olhada nesse vídeo e acesse um produtor perto de você!

6. Agroecologia é Saúde

Saúde é agroecologia e agroecologia é saúde! Uma coisa tem tudo a ver com a outra, ainda mais quando estamos enfrentando um momento tão desafiador para a saúde das pessoas  somado ao aumento da fome durante a pandemia. Por esse motivo, as organizações Fiocruz, Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Greenpeace se uniram na campanha que chamamos de #AgroecologiaÉSaúde. Nela esclarecemos dúvidas que as pessoas têm sobre essa forma de produzir e reforçamos a conexão entre a agroecologia e a saúde coletiva, além de fortalecer o coro de que o acesso à alimentos produzidos sem veneno deve ser democratizado!

7. O melhor aulão que você já assistiu! E, se ainda não assistiu, corre lá!

Aos recém chegados, a dica é: assista a esse vídeo do Tempero Drag! Um aulão de 24 minutos dessa personagem mais que amada! Rita von Hunty explica com muita maestria por que a agroecologia é a solução contra o atual modelo que degrada, destrói e não alimenta de verdade a população. Ao final dessa explicação “zero defeitos” podemos concluir: sim, só a agroecologia salva!

8. Não sou eu que tô falando, hein!

Tivemos esse ano conversas importantes com diferentes profissionais, inclusive pediatras, sobre o impacto dos agrotóxicos em nossas vidas. Alguns dos profissionais que entraram nessa dança foram: Daniel Becker, Stephanie Galassi e Fernanda Savicki. Você pode conferir várias dessas participações incríveis em nossas lives salvas no podcast ‘’As Árvores Somos Nozes’’.

E dá-lhe veneno!

9. Proteção que não funciona! Testes do Greenpeace Alemanha encontram agrotóxicos em frutas importadas:

Testes realizados na Alemanha em frutas importadas do Brasil revelaram o que já sabíamos: que a produção agrícola brasileira além de envenenar nossos campos, água e pessoas, deixa um rastro muito maior e além dos limites territoriais do país. Os testes revelaram a presença de 35 ingredientes ativos nas frutas avaliadas, sendo 11 destes proibidos no continente europeu. Em 64% das amostras existia um verdadeiro coquetel de substâncias, quando há mais de um agrotóxico presente no mesmo alimento. Em algumas frutas estavam presentes mais de nove substâncias! Isso foi importante para que os países europeus entendessem essa ameaça e percebessem que proibir tais substâncias apenas em seus territórios pode até mitigar, mas não resolverá o problema. 

Além disso, não queremos mais ser a lixeira do mundo, onde países despejam agrotóxicos que baniram de seus pratos, mas que continuam a produzir e exportar. Afinal, por que uma criança brasileira deve comer veneno que foi proibido para uma criança europeia? 

10. O agropop não alimenta de verdade

O Brasil tem batido recordes históricos nas safras de grãos. É o campeão mundial de produção de grãos e carne e tem um rebanho que supera a população nacional, com 252 milhões de cabeças de gado bovino. Apesar dos números grandiosos, em 2021 entramos novamente no vergonhoso Mapa Mundial da Fome. A pecuária devora florestas, responde por 78% de tudo que já foi derrubado na Amazônia nos últimos 20 anos, gera um terço da emissão dos gases que aquecem o planeta (GEE) e provocam as mudanças climáticas. Tudo isso para que os mercados externos consumam carne e o cidadão brasileiro tenha que buscar a fila dos ossos para sobreviver. Enquanto o lucro fica para poucos, a fome já atinge 19 milhões de pessoas.  A única coisa compartilhada nessa cadeia são os danos ambientais e um futuro sombrio caso não façamos uma transição urgentemente. Mudar essa realidade é mais simples do que parece. O caminho já  existe, há centenas de anos, e tem baixo custo: chama-se Agroecologia! Uma forma de praticar agricultura feita majoritariamente por agricultores e agricultoras familiares, que cuida do planeta e alimenta as pessoas.  Apoie a Agroecologia para que essa produção ganhe escala!

11. O trator perdeu o freio!

Mesmo em um cenário tão dramático como o da pandemia, o trator ruralista segue sem freio e de mãos dadas com o governo. Em 2021, testemunhamos retrocessos ambientais e sociais sem precedentes. Isso tudo é puxado pelos parlamentares que insistem em colocar seus interesses imediatistas e o lucro sempre acima das pessoas.

12. O pacote do Veneno continua a nos assombrar!

Em 2021 a boiada pisoteou tudo e todos. Depois que a Câmara atropelou a opinião pública e aprovou a lei do (não) Licenciamento e o PL da Grilagem, para 2022 ficou o Pacote do Veneno. Não importa que 500 agrotóxicos foram aprovados somente este ano e que, desde 2019, temos batido recorde atrás de recorde de liberações, a sede continua. Ao longo deste ano os ruralistas pressionaram continuamente pela aprovação deste pacote e conseguiram inserir a matéria para votação na última sessão de 2021! A medida só foi retirada da pauta graças a forte mobilização a jato em torno do tema, envolvendo sociedade e parlamentares contrários à matéria. Querer aprovar um projeto de tamanha gravidade ao apagar das luzes do ano legislativo só reforça o quão danoso ele é para a população. O PL 6.299/2002 ou Pacote de Veneno tornará ainda mais fácil a liberação e o uso de agrotóxicos no país, inclusive de substâncias que já foram banidas em outras partes do mundo.

Muitas das partes do Pacote do Veneno já estão valendo por meio de medidas infralegais e outras vias. Uma delas foi um decreto presidencial (10.833/2021), assinado no dia 08 de outubro, às vésperas do Dia das Crianças. O Decreto já incorporou alguns dos pontos mais críticos do Pacote do Veneno.  Mesmo assim, os ruralistas seguem e seguirão pressionando por sua aprovação (você pode conferir todos os detalhes sobre o decreto aprovado pelo governo em nosso blog e na nota técnica redigida por pesquisadoras e pesquisadores da área da saúde, de instituições como a Fiocruz e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco).

Quem vai sofrer com isso tudo não somos apenas nós, mas também toda a geração futura que, além de não ser poupada da intoxicação causada pelos agrotóxicos, ainda ficará refém da outra grave ameaça desse modelo: o esgotamento dos recursos naturais e o lapso ainda maior no acesso aos alimentos. Se hoje já temos muita gente passando fome, no futuro isso poderá ser ainda pior, é o que chamamos de insegurança alimentar. 

Em 2022 será fundamental que continuemos atentos. O presidente da Câmara Arthur Lira prometeu que votará o Pacote do Veneno em fevereiro. Nós estaremos de olho na pauta e convidamos você a acompanhar nossas redes sociais e comunicações para juntar-se a nós novamente contra essa ameaça que continua a nos assombrar.

Não é o fim do mundo! O novo caminho já existe!

A pandemia escancarou o que muitos já perceberam: o atual modelo de produção de alimentos é insustentável. Além disso, agravou o que na verdade é um problema estrutural do Brasil e que, enquanto não houver políticas públicas sérias incluindo uma transição da matriz de produção e reestruturação do nosso modelo agroalimentar, permanecerá conosco se acentuando em momentos de crise: a fome. Lembremos: essa questão é fruto de um problema político e não técnico! Ainda estamos reféns de um sistema alimentar que semeia doenças, cultiva desigualdades e produz mortes, contaminando tudo ao seu redor, incluindo animais e seres humanos, e que vem sendo sustentado com incentivos públicos inesgotáveis. 

Parece o fim do mundo, mas o caminho da transformação também já vem sendo traçado e só precisa ganhar força (muita força). Ao longo de 2021,  falamos bastante sobre como a agroecologia é a solução para uma produção de alimentos mais justa e saudável! Essa forma de fazer agricultura é praticada principalmente pelas mãos da agricultura familiar e de povos tradicionais, que alimentam as pessoas ao mesmo tempo em que cuidam da terra e do planeta. A diferença gritante entre a agroecologia e o agronegócio é que no centro dessa prática não está o lucro, mas a vida, a saúde e a dignidade humana.

Todos os seres humanos têm direito a uma alimentação saudável e adequada e não podemos mais deixar que a cada refeição um pouco desse direito básico seja arrancado de nós. Para isto é urgente iniciar uma transição para sistemas alimentares mais saudáveis, justos e sustentáveis, que existam para alimentar pessoas e não empresas. Precisamos urgentemente romper com esse sistema que, em vez de acabar com a fome, vem engolindo e acabando com as terras e com a saúde da população.Os valores, a vitalidade e a força social da agricultura familiar e da agroecologia ficaram ainda mais visíveis durante a pandemia. Para qualquer região que você olhe, ela está lá, criando redes e espalhando alimento e solidariedade com comercialização justa, driblando a fome onde ela está mais presente e garantindo comida de verdade na mesa da população brasileira

Agroecologia é o Brasil. E o Brasil precisa mais do que nunca da agroecologia. Faça parte do movimento #AgroecologiaÉSolução.