Alertas de desmatamento na Amazônia rompem a barreira de 1 milhão de hectares em um ano. O governo tem de parar de negar os dados da ciência e começar a agir para deter a destruição

The number of fire outbreaks registered in the Amazon in 2019 is one of the largest in recent years. From January to August 20, the number of fires in the region was 145% higher than in the same period of 2018. Greenpeace did an overflight at various locations in the Amazon to document and record the extension of the destruction caused by fires and deforestation.

A taxa consolidada do desmatamento na Amazônia divulgada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nesta terça-feira (09/06), aponta que o desmatamento em 2019 atingiu a marca de 1.012.900 hectares, quase duas vezes a área do Distrito Federal. Em relação a 2018, houve um aumento de 34%, quando a área desmatada atingiu 753.600 hectares.

A taxa consolidada é um cálculo feito a partir da análise de imagens de satélites que cobrem todo o território da Amazônia brasileira. 

Infelizmente, os dados não surpreendem, tendo em vista o esforço hercúleo do governo federal, em especial do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em liberar as leis que favorecem quem desmata e facilitar a destruição da maior floresta tropical do mundo. 

Enquanto o governo finge fazer política ambiental, o que estamos vendo a cada dado publicado é que a destruição na Amazônia não pára. A taxa do ano passado foi a maior desde 2008 e, infelizmente, o que os dados de alertas indicam é uma destruição ainda maior de florestas e de sua rica biodiversidade neste ano, aumentando a pressão a cada dia sobre os povos que a protegem”, afirma Rômulo Batista, do Greenpeace Brasil.

Incrementos de desmatamento - Amazônia Legal - Estados | Fonte: Inpe http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/increments
Fonte: Inpe http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/app/dashboard/deforestation/biomes/legal_amazon/increments

No mesmo dia que o Inpe divulgou os dados, o vice-presidente Hamilton Mourão, que coordena o Conselho da Amazônia, veio a público tentar enganar a população ao dizer que a área dos alertas de desmatamento em maio foi a menor dos últimos anos. Mentira. Por algum motivo escuso, Mourão ignorou o fato de que foram 61.200 hectares de alertas de desmatamento entre 1 a 28 maio de 2020. É a segunda maior área de alertas dos últimos cinco anos, perdendo apenas para 2019. E ainda assim, a três dias de acabar o mês. 

Infelizmente, estamos fadados este ano a ultrapassar o novo recorde de desmatamento de 1 milhão de hectares, em plena pandemia da Covid-19. Uma ameaça real que já atinge fortemente a região amazônica. Grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais continuam invadindo a floresta e ameaçando os povos indígenas, levando a doença para essas regiões, enquanto o governo nada faz para evitar isso ou, pior, segue entregando não somente regulamentações ambientais aos setores mais retrógrados que querem explorar sem limites, mas também oferecendo a Amazônia de baciada para os criminosos”, conclui Batista.

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