Dados do Deter entre agosto de 2025 e julho de 2026 registram o menor número da série histórica, um total de 2.874,38 km² em alertas de desmatamento.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados no dia 7 de agosto de 2026, mostram que os alertas de desmatamento do sistema DETER entre agosto de 2025 e julho de 2026, atingiram o menor número de alertas para o período de 12 meses desde o início da série histórica no bioma Amazônia, totalizando 2.874,38 km², o que representa uma redução de 36% em relação ao ano referência anterior, quando foram registrados 4.495,13 km², e coloca o Brasil diante da possibilidade de alcançar, pela primeira vez, uma taxa anual de desmatamento inferior à registrada em 2012, de 4.571 km².

Estamos diante de um resultado histórico. Se os dados consolidados do PRODES confirmarem a tendência apontada agora pelos alertas do DETER, o Brasil poderá ultrapassar o marco de 2012 e registrar a menor taxa de desmatamento de sua história. Isso mostra que o Brasil, se quiser, dispõe de instrumentos capazes de conter o avanço da destruição da floresta e que o Desmatamento Zero deixou, finalmente, de ser uma ambição distante para se tornar uma meta completamente alcançável e, também, uma das principais ferramentas diplomáticas do Brasil para impulsionar a agenda de proteção das florestas para além de seu território.
Por quê os dados são tão importantes
A ideia que o Greenpeace Brasil vem defendendo desde o início dos anos 2000, materializada no slogan Desmatamento Zero e mais tarde amplamente adotada em políticas públicas, como é o caso do PPCDAm, nunca foi apenas uma palavra de ordem ou frase de efeito, mas uma meta concreta para o futuro das florestas brasileiras. Os números que se desenham agora são positivos, mas também evidenciam uma importante contradição: o patamar que o Brasil pode finalmente alcançar hoje já havia sido estabelecido pelo próprio governo brasileiro como compromisso climático para 2020, em sua então Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Ou seja, o que hoje celebramos como uma possibilidade histórica é, na realidade, uma meta que o país poderia — e deveria — ter alcançado anos atrás. Talvez, caso não tivesse atravessado um período de forte enfraquecimento da agenda socioambiental, marcado por retrocessos na legislação e nas políticas de proteção das florestas, o cenário poderia ser outro.

Desmatamento Zero é a solução
O Greenpeace Brasil acredita que esse é o momento oportuno para o país se mostrar protagonista na proteção ambiental e acelerar a trajetória rumo ao Desmatamento Zero, com políticas efetivas que garantam a proteção das florestas, o respeito aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Isso inclui:
- a eliminação do desmatamento das cadeias produtivas, sobretudo de grãos e gado;
- maior rigor nos fluxos financeiros que ainda permitem que o crédito chegue a infratores ambientais;
- planejamento de infraestrutura para a Amazônia que considere os impactos socioambientais, evite a abertura de novas frentes de desmatamento e degradação da floresta e não contribua para o aumento da insegurança e dos conflitos na região.
Ultrapassar a marca de 2012 será histórico, mas ainda está longe do ‘zero’ e não pode ser o nosso ponto final. O que queremos é que esse seja o começo de uma nova trajetória: a de um Brasil que não aceita mais a destruição da floresta e dos seus ecossistemas como preço do chamado desenvolvimento. O Desmatamento Zero é possível, e os dados mostram que, apesar de mais atrasados do que gostaríamos, estamos mais perto de torná-lo realidade.
Entretanto, essa trajetória não está garantida. O avanço alcançado nos últimos anos convive com frequentes ameaças, especialmente neste momento em que o Congresso segue aprovando retrocessos que desmontam instrumentos de fiscalização e proteção ambiental. Em um ano eleitoral, quando a agenda socioambiental historicamente sofre forte pressão, e diante da possibilidade de um Super El Niño intensificar o período de seca e, portanto, o risco de incêndios florestais na Amazônia no segundo semestre, proteger os avanços conquistados e barrar os retrocessos se torna ainda mais urgente.
Na próxima semana, o Supremo Tribunal Federal julgará a chamada “Agenda Verde”, e terá uma oportunidade concreta de proteger o caminho percorrido até aqui, reafirmando a Corte como uma aliada contra o desmonte da política ambiental justamente quando ela mais precisa ser fortalecida.
O Brasil tem a oportunidade de converter a credibilidade conquistada no combate ao desmatamento em uma liderança capaz de mobilizar outros países e garantir que o Mapa do Caminho seja um instrumento efetivo para orientar e acelerar ações concretas para zerar o desmatamento e proteger as florestas do mundo todo, ao invés de mais uma ideia de gaveta muito bem escrita.
Sobre os dados
O DETER é um sistema do INPE que produz alertas de alterações na cobertura florestal para apoiar ações de fiscalização e controle. Já o PRODES realiza o monitoramento anual do desmatamento e calcula a taxa oficial de desmatamento na Amazônia Legal. O ano de referência do PRODES considera o período de 1º de agosto a 31 de julho do ano seguinte. Por isso, consideramos os alertas do DETER registrados nesse mesmo período um importante indicador da tendência que poderá ser posteriormente confirmada pelo PRODES.
Os dados consolidados do PRODES são divulgados posteriormente, geralmente com uma estimativa prévia nos últimos meses do ano de referência e os dados consolidados no ano seguinte, após a análise das imagens de satélite de toda a Amazônia Legal. Portanto, os números do DETER apresentados neste release indicam uma tendência, mas não substituem a taxa oficial calculada pelo PRODES.
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