Presépio no Rio de Janeiro nos lembra que o amor de Cristo é incompatível com a destruição ambiental e a discriminação racial

O presépio foi montado em quatro dias no Largo da Glória, com painéis fotográficos e estátuas que representam o nascimento do menino Jesus na Amazônia. Fotos: Divulgação

Este ano o menino Jesus é preto e nasce em uma Amazônia destruída, cercado por querubins indígenas e anjos miscigenados, como os brasileiros. Este é o cenário do presépio que o padre Wanderson Guedes criou para a paróquia Sagrado Coração de Jesus, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, para estimular a reflexão nos fiéis sobre como o racismo e a destruição ambiental nos afastam do amor e dos ensinamentos de Cristo.

O presépio é composto de painéis fotográficos com imagens da Amazônia devastada e de esculturas de isopor e resina feitos pelo próprio padre ao longo de quatro meses. Ele pode ser visto na praça do Largo da Glória, onde vem chamando a atenção das pessoas e até da imprensa internacional – foi notícia em jornais na Europa. 

Os presépios com críticas sociais já se tornaram uma tradição na paróquia. Corrupção e o direito à amamentação já foram temas de anos anteriores. O deste ano foi inspirado no Sínodo da Amazônia e na luta antirracismo que se fortaleceu este ano. “Temos que olhar para a questão ambiental, que vem sendo seriamente agravada, como um problema de todos nós e que a própria Igreja Católica precisa abordar mais no Brasil. O brasileiro é sensível à causa do meio ambiente, mas a discussão política tem impedido de nos unirmos para protegê-lo”, afirma o padre Wanderson.  

“O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros.”

Papa Francisco, no Sínodo da Amazônia

A gente aqui do Greenpeace Brasil parabeniza o padre e a paróquia do Sagrado Coração de Jesus pela iniciativa sensível, oportuna e necessária. Este foi um ano em que vimos as queimadas consumirem o Pantanal e o desmatamento atingir o maior aumento em 12 anos. Nada mais apropriado que isto estar representando em um presépio, que simboliza a união do sagrado com o terreno, em que homens e animais se reúnem com anjos.

Aliás, descobrimos numa rápida pesquisa que o primeiro presépio foi montado justamente por São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais e defensor da natureza. Se a natureza é sagrada, como obra e expressão de Deus, cabe a nós a responsabilidade de venerá-la e preservá-la. 

Um feliz Natal a todos!