Alerta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre aumento da temperatura global é preocupante, mas os governos ainda podem agir para evitar o pior.

Tempestades no Rio Grande do Sul em maio de 2024, a maior tragédia climática da história do estado.
Um relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) nesta terça-feira (02) alerta que o mundo ultrapassou temporariamente a temperatura média global de 1.5ºC. Este é o primeiro documento da ONU a descrever uma trajetória de “ultrapassagem, pico e declínio”, em que a temperatura média global ultrapassa temporariamente o limite de 1,5°C para depois ser reduzida por meio de ações intensas de combate à crise climática.
Em resposta ao alerta da ONU, o Greenpeace reforça que uma ação conjunta e abrangente para abandonar os combustíveis fósseis, promover uma transição justa que seja rápida, equitativa e devidamente financiada, e acabar com a destruição das florestas até 2030 deve se tornar a força motriz das políticas governamentais para que o mundo volte o mais rápido possível a marca de 1,5°C.
A especialista em política climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo, comenta:
“O relatório do PNUMA confirma o que a ciência já alertava: o tempo de esperar acabou, precisamos agir agora para reduzir os impactos das mudanças do clima. O aumento da temperatura global está ultrapassando cada vez mais o limite seguro, levando a desastres catastróficos como o visto este mês no Nepal, apenas para citar um dos vários exemplos. Para reduzir esses impactos e proteger vidas, é urgente mitigar e adaptar à crise climática. No Brasil, isso significa continuar os esforços para zerar o desmatamento, além de destinar recursos para a adaptação nos Municípios e promover a eliminação gradual e justa dos combustíveis fósseis.
Em nível global, precisaremos de uma resposta à altura da COP31, com um chamado aos países a fazerem os seus ‘mapas do caminho’ para o fim dos combustíveis fósseis até 2040 para os países desenvolvidos e até 2050 para os países em desenvolvimento, além de uma ação coletiva para acabar com o desmatamento global até 2030 e financiamento de qualidade para países em desenvolvimento. Só assim poderemos reduzir o período de ultrapassagem e voltar o mais rápido possível para a margem segura de aquecimento do planeta de até 1,5°C .”
O vice-diretor de Programas do Greenpeace Internacional, Jasper Inventor, afirma:
“Esta é uma notícia que nenhum de nós queria ouvir, mas ultrapassar o limite da temperatura média global não é motivo para desistir e abrir mão da meta de 1,5°C. É um momento desolador, e precisamos refletir sobre isso, mas cada fração de grau ainda importa, e o relatório do PNUMA deve servir agora como um chamado decisivo à ação.”
1,5ºC: marco jurídico, político e salvação para a vida humana
Limitar o aquecimento global a 1,5°C é uma condição de sobrevivência inegociável para a humanidade. Esse limite foi consagrado juridicamente pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) em um Parecer Consultivo — e respaldado por uma resolução da Assembleia Geral da ONU. A CIJ confirmou que manter o aquecimento em 1,5°C é uma obrigação legal de todos os Estados e determinou que os países com altas emissões de carbono têm a responsabilidade histórica de agir com maior rapidez e firmeza para proteger as comunidades mais vulneráveis.
Informações para a imprensa sobre o Greenpeace Brasil
Agência Galo | [email protected]
Milka Veríssimo | 11 95761 2703
Thiago Rebouças | 11 98562 3094
Sem a ajuda de pessoas como você, nosso trabalho não seria possível. O Greenpeace Brasil é uma organização independente - não aceitamos recursos de empresas, governos ou partidos políticos. Por favor, faça uma doação mensal hoje mesmo e nos ajude a ampliar nosso trabalho de pesquisa, monitoramento e denúncia de crimes ambientais. Clique abaixo e faça a diferença!


