Ação foi realizada por delegação de ativistas do Engajamundo, em parceria com o Greenpeace Brasil

Intitulada “Boto Alerta: Queremos nadar na água, não no petróleo!”, a intervenção foi a primeira ação ativista brasileira da COP28 © Engajamundo

Neste domingo, 3 de dezembro, em Dubai, palco da Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (a COP28), a delegação da organização de jovens Engajamundo, em parceria com o Greenpeace Brasil, marcou o espaço das negociações com uma mensagem urgente e a primeira ação de ativismo brasileira desta edição.

A intervenção, intitulada “Boto Alerta: Queremos nadar na água, não no petróleo!” teve o intuito de denunciar  os impactos socioambientais que a exploração de petróleo na região amazônica pode causar. A ação combina a morte dos botos, impactados pela seca severa do último período, representando a fauna, e a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. 

Para Marcelo Laterman, porta-voz do Greenpeace Brasil, a ação realizada em parceria com o Engajamundo denuncia a contradição do governo brasileiro em defender a expansão das fronteiras de petróleo no país, especialmente em áreas sensíveis como a Amazônia, enquanto busca reposicionar o país em um papel de protagonismo na agenda climática.

“De forma criativa, esses jovens ativistas dão um recado importante: não há futuro virtuoso para a Amazônia com o avanço do petróleo na região. A abertura dessa nova fronteira pode ficar marcada como o pior legado socioambiental do presidente Lula. É preciso que o governo cumpra com o que prometeu e defenda a Amazônia, seus povos e enfrente a crise climática de forma responsável”, afirma Laterman.

Jaciara Borari é uma das ativistas indígenas do Engajamundo e parte da delegação que montou essa ação. “Queremos que, de alguma forma, essa ação expresse a urgência dessa pauta chegar nos tomadores de decisão e que o processo de exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas seja repensado e barrado“, diz ela. “Que o Brasil seja consciente dos impactos devastadores que isso pode causar. Ainda temos tempo para evitar um grande desastre anunciado!”. 

Confira mais fotos da ação.

Petróleo na Amazônia Não

Entre 2012 e 2020, o número de campos petrolíferos na Amazônia aumentou em 13%, de acordo com a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG). Caso haja a abertura dessa nova fronteira na costa amazônica, esse número vai aumentar exponencialmente. Será um avanço sem precedentes na história do país.

O Ibama já deu mais de uma negativa para exploração de petróleo na região da Bacia da Foz em razão da vulnerabilidade socioambiental da área, no entanto, a Petrobras segue insistindo, recorreu da última decisão e mantém os planos de explorar a região.

O Brasil é o 9o maior produtor de petróleo no mundo e, ao anunciar sua entrada na OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em plena COP 28, mostra que o país e seus líderes ainda têm o petróleo como prioridade econômica, apesar dos discursos em defesa da descarbonização e da formulação das nossas novas NDCs.

Continuar apostando neste modelo não é só um erro socioambiental e climático – mas também, diante do processo de descarbonização da economia global, pode se tornar um equívoco econômico, inclusive, com afastamento de financiamento climático.

Já pavimentando o caminho para a COP30, o governo brasileiro aparentemente se mostra comprometido com a pauta de transição energética, mas falha ao fomentar a exploração de petróleo em uma das regiões mais biodiversas do planeta, extremamente sensível do ponto de vista socioambiental. Diante desse cenário, é urgente amplificarmos o pedido: Petróleo na Amazônia Não! E que o governo brasileiro declare a região como uma zona livre de petróleo.

O Boto

O Boto inflável da ação foi feito pelo artista Gil Reais, tendo 1,5m x 4m. Segundo o artista, a obra se intitula “Desencanto”. Ele participa de projetos que discutem a emergência climática e como isso afasta a encantaria do mundo, sendo um dos exemplos disso a morte dos botos.

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