Todas as apoiadoras do Manifesto do Cerrado, lançado por organizações ambientalistas no ano passado, compram soja ou gado do bioma brasileiro.

Máquina passando no campo

Máquina recolhe soja plantada © Otto Ramos / Greenpeace

Durante o Fórum Econômico Mundial, realizado na semana passada em Davos, na Suíça, mais empresas anunciaram apoio ao Manifesto do Cerrado, lançado por uma coalizão de cerca de 60 organizações ambientalistas – entre elas, Greenpeace Brasil, Imaflora, IPAM, TNC e WWF – em setembro do ano passado. Com as novas adesões, chega a 61 o número de companhias que se comprometem a combater o desmatamento no Cerrado.

Desde outubro, quando 23 corporações globais anunciaram apoio ao Manifesto, a quantidade de adesões triplicou. Entre os novos signatários estão Casino Group, Danone, Mondelēz International e outras que se somam a grandes corporações como Walmart, Unilever, Nestlé, McDonald’s e Carrefour. Todas as signatárias utilizam soja e carne bovina ou derivados de origem brasileira em seus produtos – diretamente ou em suas cadeias de suprimentos.

“Em um mundo onde o aquecimento do planeta não ultrapasse o 1.5o C, o apoio de 61 empresas ao Manifesto representa mais um passo para cessar as emissões advindas do desmatamento no Cerrado. Para chegar lá não basta depositar as expectativas em políticas públicas que talvez nunca aconteçam. Agora é a hora de as empresas que atuam no Brasil e as consumidoras de produtos brasileiros serem pró-ativas, demonstrarem capacidade de liderança e trabalharem na implementação de iniciativas concretas para zerar a perda de vegetação nativa também no Cerrado. Isso exige, entre outras medidas, esquemas confiáveis de monitoramento, relatórios e verificação transparentes”, disse Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace.

Há mais de uma década as taxas anuais de desmatamento no Cerrado superam as da Amazônia – em apenas dois anos, entre 2013 e 2015, o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. A expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa é a principal causa da destruição do bioma.

O comprometimento das empresas é uma resposta ao Manifesto, no qual as entidades ambientalistas exigiam uma medida imediata em defesa do Cerrado por parte das companhias que compram soja e gado do bioma. No documento, as organizações também cobram o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo governo brasileiro e que sejam criados instrumentos e políticas para uma produção mais responsável.

Empresas que declararam apoio ao Manifesto do Cerrado:

  • Ahold Delhaize NV
  • Ajinomoto Co Inc
  • Aldi NL
  • Auchan Retail
  • AVRIL SCA
  • Barry Callebaut
  • Bel Group (Fromageries Bel SA)
  • Bidfood NL
  • Boni Markten
  • Boon Sliedrecht
  • Carrefour
  • Casino Group
  • Colgate-Palmolive Company
  • Co-operative Group Ltd
  • Coop Switzerland
  • Coop Supermarkten NL
  • Cooperl
  • Danone
  • Deen Supermarkten NL
  • Detailresult
  • De Kweker
  • EMTE Supermarkten
  • Groothandel in Levensmiddelen Van Tol
  • GPA
  • Grupo Bimbo
  • Grupo Exito
  • Hoogvliet Supermarkten
  • ICA Gruppen AB
  • Inter IKEA Group
  • J Sainsburys Plc
  • Jan Linders
  • Jumbo Supermarkten
  • Kellogg Company
  • L’Oréal SA
  • Lekkerland
  • Lidl UK GmbH
  • Lidl Nederland
  • Makro Nederland
  • Marks & Spencer Group Plc
  • Mars Inc
  • McDonald’s Corporation
  • METRO AG
  • Migros
  • Mondelēz International
  • Nando’s Chickenland Ltd
  • Nestlé S.A.
  • Nettorama
  • NorgesGruppen ASA
  • NS Stations Retailbedrijf
  • Nutreco NV
  • Plus Retail
  • Poiesz Supermarkten
  • Sligro
  • Spar NL
  • Tesco Stores Plc
  • Unilever
  • Vakcentrum
  • Vomar Voordeelmarkt
  • Waitrose Ltd
  • Walmart Stores Inc
  • Wm Morrison Supermarkets Plc.