Acordo assinado entre os países amazônicos se compromete com os direitos dos povos originários e a demarcação de terras indígenas, mas possui brechas e lacunas

The Amazon Summit in Belém is the beginning of an international environmental policy by the Lula government that will culminate in the COP 30, also in the capital of Pará in 2025. In the previous events, the president defended the union of the 8 countries that host the forest to seek shared solutions.

Before the Summit the Amazonian Dialogue take place with plenary sessions organized by the Federal Government for the participation of society and registration of self-organized activities by civil society, scientific institutions and government agencies. There will be five plenary sessions that should result in letters to be presented by the representatives from the civil society groups, to the leaders of the Amazonian countries during the Summit, on the 9th of August.

Às vésperas do dia internacional dos povos indígenas, o principal resultado da Cúpula da Amazônia foi apresentado: a Declaração de Belém, que consolida uma agenda comum entre os oito países do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Desde 2009, o bloco não se reunia e sua reativação foi motivo de celebração e expectativa mundial. 

Lançada no dia 08 de agosto, a declaração final da Cúpula da Amazônia assume um compromisso com a promoção de direitos dos povos originários e comunidades tradicionais, e com a proteção de seus territórios, além de sugerir a adoção de medidas voltadas ao fortalecimento da diversidade cultural e dos conhecimentos ancestrais. São diretrizes preciosas que podem nortear a aplicação de políticas internacionais e regionais.

Contudo, a Declaração de Belém não estipula prazos para alcançar os objetivos acordados entre os chefes de estado. Para Danicley de Aguiar, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil: “a Declaração de Belém é sem dúvida uma carta de boas intenções, mas é urgente que os ministros de Relações Exteriores da Pan-Amazônia acelerem o diálogo e estabeleçam uma agenda estratégica para a implementação dos objetivos assumidos”. 

Além de não contar com metas e calendário definidos, outra preocupação é que a Declaração de Belém não faz menção ao desmatamento zero ou à exploração de combustíveis fósseis – ambos estão por trás da piora da crise climática e aceleram a proximidade do ponto de não retorno da Amazônia, ameaçando diretamente os povos e populações que vivem e sobrevivem da maior floresta tropical do mundo.

The Amazon Summit in Belém is the beginning of an international environmental policy by the Lula government that will culminate in the COP 30, also in the capital of Pará in 2025. In the previous events, the president defended the union of the 8 countries that host the forest to seek shared solutions.

Before the Summit the Amazonian Dialogue take place with plenary sessions organized by the Federal Government for the participation of society and registration of self-organized activities by civil society, scientific institutions and government agencies. There will be five plenary sessions that should result in letters to be presented by the representatives from the civil society groups, to the leaders of the Amazonian countries during the Summit, on the 9th of August.

Amazônia livre de petróleo e garimpo

Apesar dos protestos de lideranças indígenas e de organizações sociais e científicas, a carta final deixou de fora a rejeição à exploração de petróleo na Amazônia, em meio aos debates sobre a Foz do Rio Amazonas. 

A Declaração de Belém até sinaliza uma cooperação regional e internacional para combater a mineração ilegal, tráfico ilícito e outros crimes, mas não rejeita de forma detalhada o avanço do garimpo no bioma — o texto cogita iniciar na Amazônia um diálogo sobre a “sustentabilidade de setores como a mineração ”, diante do avanço exponencial dessa atividade.

Entretanto, a extração de minérios ou de combustíveis fósseis em uma região tão rica e relevante, como a Amazônia, nada tem de sustentável. Pelo contrário! Aprofunda o modelo predatório que aprisiona a região ao subdesenvolvimento, e alimenta uma lógica que agrava o aquecimento global.

A própria Declaração de Belém atenta para o risco de exposição a mercúrio e outras substâncias perigosas derivadas da mineração, e pontua o combate à contaminação, que compromete a reprodução física e cultural dos povos indígenas que convivem há milhares de anos com a floresta.  

Apoiei os povos indígenas participando do nosso abaixo-assinado:
Amazônia Livre de Garimpo

Amazônia não é mercadoria 

Antes da Cúpula da Amazônia, ocorreram os Diálogos Amazônicos, que reuniu lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas e de demais populações tradicionais da Amazônia, além de ambientalistas e representantes de organizações e movimento sociais.

As conclusões do Diálogos Amazônicos sistematizaram a contribuição da sociedade civil para a construção de um acordo pan-amazônico capaz de garantir o desenvolvimento regional, possibilitando uma economia que supere a pobreza, conviva com a floresta e respeite os direitos humanos. 

“Os movimentos populares expressaram profunda preocupação nos Diálogos Amazônicos com o falso consenso de que a floresta só tem valor se for transformada em commodity”, relata Danicley de Aguiar. 

“É urgente que o poder público ouça aqueles que de fato convivem e sobrevivem da floresta, priorizando a reprodução dos arranjos socioculturais locais e não apenas os interesses de mercado”. 

Para traçar, de fato, uma economia e uma transição ecológica justa para a Amazônia — superando a pobreza, a violência, o garimpo, o desmatamento e o petróleo —, é necessário reverter a lógica de monetização da floresta. E um passo crucial é aprender com os povos originários que há mais de 12 mil anos convivem com a floresta.

Cúpula da Amazônia e os direitos indígenas

No discurso de abertura, o presidente do Brasil, país sede, citou a importância das demarcações para a proteção da biodiversidade global e, consequentemente, para toda a humanidade — Lula até iria usar a Cúpula como palco para anunciar a demarcação de mais oito Terras Indígenas, o que não aconteceu. 

Embora o acordo pan-amazônico destaque o respeito aos povos originários e a demarcação das Terras Indígenas, o texto precisa sair do papel. Cabe ao poder público e privado aplicá-lo em políticas viáveis e concretas. 

A participação de indígenas nas decisões que impactam suas vidas também foi enfatizada. A ausência de escuta e consulta aos povos originários é recorrente, o que desencadeia em outras violações. 

A Declaração de Belém orienta os governos sobre o dever de adotar medidas para assegurar a participação plena e efetiva dos povos indígenas na política, em conformidade com os tratados internacionais como a Convenção 169 da OIT, Convenção sobre Diversidade Biológica e Declarações da ONU. 

The Amazon Summit in Belém is the beginning of an international environmental policy by the Lula government that will culminate in the COP 30, also in the capital of Pará in 2025. In the previous events, the president defended the union of the 8 countries that host the forest to seek shared solutions.

Before the Summit the Amazonian Dialogue take place with plenary sessions organized by the Federal Government for the participation of society and registration of self-organized activities by civil society, scientific institutions and government agencies. There will be five plenary sessions that should result in letters to be presented by the representatives from the civil society groups, to the leaders of the Amazonian countries during the Summit, on the 9th of August.

Segurança e justiça na Amazônia 

Os oito países amazônicos também se comprometeram a trabalhar em conjunto no combate à atividade ilícitas, como crimes ambientais. A Declaração de Belém pontuou uma “cooperação policial, judicial e de inteligência”. 

Um dos objetivos é implementar medidas para garantir um ambiente seguro para a população e organizações socioambientais, incluindo a criação de um observatório de direitos humanos para povos indígenas, lideranças e ativistas na Amazônia. 

O protagonismo de povos indígenas, mulheres e jovens nos espaços de decisão foi demandado, como a criação de um fórum sobre interseccionalidade de gênero, etnia e clima para promover políticas dignas e seguras de adaptação e mitigação às mudanças climáticas.

The Amazon Summit in Belém is the beginning of an international environmental policy by the Lula government that will culminate in the COP 30, also in the capital of Pará in 2025. In the previous events, the president defended the union of the 8 countries that host the forest to seek shared solutions.

Before the Summit the Amazonian Dialogue take place with plenary sessions organized by the Federal Government for the participation of society and registration of self-organized activities by civil society, scientific institutions and government agencies. There will be five plenary sessions that should result in letters to be presented by the representatives from the civil society groups, to the leaders of the Amazonian countries during the Summit, on the 9th of August.

Alerta: marco temporal à vista no Congresso

Enquanto os olhos estavam voltados para a Cúpula da Amazônia, a bancada ruralista no Congresso brasileiro voltou a pautar o Projeto de Lei 2903/2003 (ex-PL 490), que trata da tese anti-indígena do marco temporal. Neste momento, a proposta está em discussão na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal e, se for aprovada na casa, avança mais um passo na tramitação, podendo virar lei. 

Apelidado de “PL do marco temporal”, o projeto vai na contramão do compromisso assumido pelo Brasil recentemente na Declaração de Belém, pois entrega os territórios indígenas e suas riquezas à exploração predatória, aumentando os riscos para os povos originários e para o futuro de toda humanidade.

Apoie a defesa dos direitos indígenas participando e divulgando o abaixo-assinado: marco temporal não!

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