Diante do agravamento da Covid-19 na região Norte, o Asas da Emergência retomou as atividades e, em 3 meses, entregou 62 toneladas de insumos e uma usina de oxigênio

Nos primeiros dias de janeiro o país todo ficou chocado com as imagens de Manaus divulgadas pela imprensa. Dentre outros materiais escassos, a maior capital da Amazônia sufocava sem oxigênio, literalmente. Preocupado com esta trágica realidade, o time do Greenpeace rapidamente se reorganizou e já no dia 16 deste mesmo mês realizou  o primeiro voo do projeto Asas da Emergência em 2021. Na ocasião  levamos 12 cilindros de oxigênio para São Gabriel da Cachoeira e Iauaretê, localizadas na região do Alto Rio Negro, lar de 23 povos indígenas, no noroeste do Amazonas.

Retomadas suas operações de ajuda humanitária, o projeto Asas de Emergência assumiu um ritmo bastante intenso. Durante dois meses foram realizados dezenas de voos, praticamente diários, levando doações para cidades de cinco estados – Amazonas, Roraima, Acre, Pará e Rondônia. A maior parte das cargas era composta por cilindros e concentradores de oxigênio, máscaras, testes, seringas para vacinação, materiais de higiene e cestas básicas, além de itens mais específicos, como geradores e painéis solares. Em Manaus, também realizamos entregas para a Casa de Saúde Indígena (Casai) e o Parque das Tribos, bairro que abriga 35 povos indígenas.

Segundo o porta-voz do projeto, Iran Magno, a notícia do agravamento da Covid-19 na região Norte já veio acompanhada da retomada de uma importante rede de solidariedade. “Ainda em janeiro, quando a gente aguardava com esperança a chegada da vacina ao Brasil, recebemos as notícias vindas de Manaus e passamos a somar esforços onde havia necessidade e urgência. Mais uma vez, dedicamos nossa infraestrutura, nossa aeronave e o conhecimento que temos em sobrevoar a Amazônia para proporcionar maior resiliência aos povos indígenas no enfrentamento dessa crise. Nós, do Greenpeace Brasil, seguimos integrando esses esforços, tão fundamentais nesse momento. Enquanto o governo ainda falha em proporcionar uma resposta adequada à proteção da vida da população,  a sociedade civil tem se desdobrado para minimizar os danos da pandemia. Mas ainda precisamos de respostas adequadas e vacinação para todos já!”. 

Foram 95 mil quilômetros percorridos desde janeiro deste ano, levando doações por toda a Amazônia

O projeto Asas também se adequou para rapidamente responder às demandas de populações indígenas impactadas por inundações no Acre e no sul do Amazonas. As cheias dos rios causaram ainda mais transtornos e desafios a esses povos, até mesmo para garantir o acesso a alimentos, já que muitas roças de subsistência foram destruídas. Um total de 3,5 toneladas de alimentos foram doadas para comunidades nas regiões afetadas pelas enchentes nesses dois estados.

No pior mês de março da história do Brasil, com mortes pela Covid atingindo mais de 3 mil pessoas por dia, a ausência de efetivas medidas protetivas e de tratamento para a população deixou muita gente atordoada. Neste contexto, de abandono pelo Estado brasileiro, os indígenas puderam contar, mais uma vez, com a solidariedade e o apoio do Greenpeace, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab),do  Instituto Socioambiental (ISA),  da Amazon Watch e do Projeto Entrega, dentre outros parceiros. 

No dia 19 de abril (em que se comemora o “Dia do Índio”), uma iniciativa ainda mais estratégica foi concretizada: a doação de uma usina de oxigênio medicinal pelo Greenpeace e a Foirn à cidade de São Gabriel da Cachoeira, município mais indígena do Brasil. Com capacidade de envasar 12 cilindros de 50 litros diariamente, a usina proporciona relevante autonomia e inédito protagonismo do movimento indígena no enfrentamento da Covid-19, justamente na região em que ocorreu o primeiro colapso de oxigênio no país (em maio de 2020), que, infelizmente, se repetiu em janeiro deste ano.

Solidariedade se faz na prática

Desde o início do Asas da Emergência, o cacique Marivelton Barroso, do povo Baré, presidente da Foirn, ressalta que, diante do negacionismo do Estado brasileiro em enfrentar a pandemia e apoiar os povos, a união da sociedade civil é fundamental. “A Covid mostra que ou a gente trabalha juntos ou tem um massacre, de mortes, de perdas. Diante das limitações e dos poucos recursos, é fundamental trabalhar em cooperação”, avalia ele.

Nesse mesmo mês, infelizmente, o Brasil atingiu a triste marca de 400 mil vidas perdidas para a pandemia. Segundo a Articulação dos Povos do Brasil (Apib), até ontem (12), o total de indígenas contaminados já chegava a 53.933, de 163 povos, sendo que 1.070 indígenas não resistiram e “viraram semente”, como vários povos costumam definir a morte. O Greenpeace chamou atenção ao fato com um protesto no Encontro das Águas, em Manaus, em solidariedade às vidas perdidas e chamando o poder público a se responsabilizar em proteger toda a população. O protesto ainda resultou na doação de 18 toneladas de insumos – entre alimentos, produtos de higiene e materiais de proteção.

Em apenas três meses de 2021, o Asas da Emergência entregou:

Após um ano de operações, o projeto totaliza:

No atual preocupante cenário mundial de pandemia, o Greenpeace Brasil segue firme em sua missão de defender a vida em todo o planeta. Reafirmamos nosso compromisso de defender as florestas e apoiar os povos indígenas em sua luta para proteger a natureza e para terem os seus direitos respeitados, especialmente os direitos aos seus territórios tradicionais, aos seus modos de vida ancestrais e ao Bem Viver. Acreditamos que esse deve ser o compromisso de cada um de nós, na construção de um mundo solidário e justo, em que as pessoas e a natureza estejam acima do lucro.

Já existem soluções para a crise climática e que podem ajudar muito na resolução da crise econômica e social brasileira. Precisamos apenas ligar os pontos, contar com quem já está atuando junto e promover ações que contribuam para a construção de um mundo mais justo, inclusivo e em equilíbrio com o meio ambiente. Assine a nossa petição para se juntar ao movimento de pessoas que reconhecem a urgência da crise climática, dar voz às pessoas mais afetadas por este problema e manter-se informado para nos mobilizarmos pela causa e pressionarmos as autoridades.